Piloto da American tem discussão feia com controlador por separação entre aeronaves na decolagem

Boeing 757 da Delta decola de Atlanta | Foto: DepositPhotos

Uma discussão entre um piloto da American Airlines e um controlador de voo no aeroporto mais movimentado dos EUA levantou debate sobre performance.

O caso envolveu um Airbus A319 da American que decolava logo após um Boeing 757-200 da Delta Air Lines no Aeroporto Internacional de Atlanta, o mais movimentado do mundo em número absoluto de passageiros por ano.

Pouco após o 757 sair do chão, o A319 foi liberado para decolagem, porém o piloto da American pediu mais tempo para iniciar a corrida de decolagem por causa da esteira de turbulência. O controlador então cancelou a autorização de decolagem e pediu que o A319 saísse da pista e entrasse na taxiway atrás do próximo avião a decolar, um jato A321 da Frontier Airlines.

Logo após o voo da American livrar a pista, o controlador fala para o piloto: “Da próxima vez que você precisar de uma separação além da padrão, você tem que nos notificar antes de entrar na pista“.

O piloto do A319 não gostou e rebateu: “Apenas para a sua informação, não levamos seu manual de separação na nossa cabine, então você nos liberou para decolagem atrás de um Boeing 757 com ventos calmos, 27 segundos após ele sair do chão, não achamos que seja uma separação adequada para evitar a esteira de turbulência“.

Em situação de vento calmo, a dissipação da esteira de turbulência é mais lenta, já que o vento não dissipa o distúrbio causado pelo deslocamento do jato à frente, sendo que o principal efeito é sentido exatamente pela passagem das asas pelo ar, que no 757 são bastante longas.

O controlador rebateu e disse para o piloto da American que “não tem separação de esteira de turbulência, cara“, e foi novamente rebatido pelo aviador, que disse: “Ok, nos deixe voar o avião e faça o seu trabalho“.

Irritado com a situação, o controlador pede que o piloto anote um número para ele ligar por possível “desvio de procedimento” por parte do piloto. Isto ocorre quando um piloto não segue as instruções do controlador ou existe algum debate sobre o que foi feito e deve ser feito, sendo a linha telefônica usada para esclarecer os fatos antes de uma medida administrativa.

Logo após a decolagem, o piloto do A321 da Frontier provoca e agradece ao controlador, que afirma: “Eu que agradeço, tenho feito esse trabalho há 26 anos, não preciso de nenhum piloto para dizer como fazer meu trabalho“.

Apesar de ser responsabilidade do controlador separar as aeronaves e organizar o tráfego, as questões relacionadas à performance da aeronave cabem somente aos pilotos. Em casos passados, outras discussões, tanto nos EUA como fora, já surgiram em torno disso, com pedidos de controladores para que pilotos atingissem certa velocidade ou fizessem descidas de maneiras que a aeronave não conseguiria realizar em segurança.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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