Piloto de cargueiro pede para não usar freios no pouso devido à carga sensível e inusitada a bordo

Uma nobre missão fez com que um piloto pedisse ao controlador de voo para não usar os freios e poder utilizar toda a pista na chegada ao Texas, tudo isso por causa da carga inusitada a bordo.

O voo em questão é o QR8086, operado por um Boeing 777F cargueiro da Qatar Airways entre Toronto e San Antonio, no Texas. Essa rota não é comum para a Qatar Cargo, e o voo foi realizado sob demanda, mas por um motivo nobre: salvar baleias-belugas.

Um dos principais parques temáticos do Canadá, o Marineland, fechou em 2024 após anos de polêmicas envolvendo o tratamento dos animais que ali estavam. Com o fim das operações, era necessário realocar todos os bichos, incluindo 28 baleias-beluga, espécie que tem um formato característico que serviu de inspiração para que a Airbus adaptasse seus aviões A300 e A330 para o transporte de cargas volumosas, principalmente partes de outros aviões, entre suas fábricas na Europa.

Dessas 28 baleias, 13 encontraram uma nova casa no SeaWorld de San Antonio e quatro no aquário Shedd, em Chicago. Outras duas serão transferidas futuramente para um aquário em Atlanta.

Esse transporte do Canadá para os Estados Unidos foi um desafio logístico, colocado hoje como a maior transferência aérea de baleias da história. Os animais foram retirados de seus tanques com guindastes, colocados em caminhões e depois transferidos para contêineres-tanque no Aeroporto de Toronto, onde foram embarcados em um Boeing 777F da Qatar Airways.

Na chegada a San Antonio, o piloto da Qatar Airways perguntou ao controlador de voo se poderia utilizar toda a pista, em vez de se preparar para desocupá-la por uma taxiway de saída rápida, procedimento comum em aeroportos americanos mais movimentados.

Nós temos uma carga sensível e gostaríamos de não usar os freios e utilizar a pista toda para não incomodá-los“, o pedido é prontamente atendido pelo controlador, que pergunta se a carga a bordo era de cavalos, que normalmente são transportados em aviões cargueiros para competições, e o piloto esclarece que são “belugas para vocês, no SeaWorld“.

Quando o avião pousa sem utilizar muito os freios, a distância de pouso aumenta, mas a perda de energia também é mais progressiva, com menor efeito da força G sobre a aeronave e, por consequência, sobre quem está a bordo, incluindo as belugas. Neste caso, o pouso mais “prolongado” faria com que a água dentro dos contêineres se movimentasse menos, estressando menos os animais, que fizeram um voo de 2 horas e 40 minutos do antigo lar para a nova casa.

Após o desembarque no Texas de duas baleias-belugas, o Boeing da Qatar seguiu para Chicago, onde outro par foi desembarcado para o aquário local. Mais voos de translado das belugas deverão ser feitos nas próximas semanas.

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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