Portugal volta a colocar o F-35 no centro do debate para substituir seu caça F-16

Foto: USAF/Belinda Guachun

O governo de Portugal voltou a considerar seriamente o F-35 Lightning II, da americana Lockheed Martin, como candidato à renovação de sua frota de caças F-16.

Após incertezas políticas em 2025, a retomada do interesse foi confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante reunião com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Lisboa, no início de outubro.

Segundo Rangel, o F-35 está entre as opções avaliadas, ao lado de outras alternativas do mercado internacional. “O Estado português decidirá sempre de acordo com o interesse nacional”, afirmou o chanceler, reforçando que o governo analisa todas as possibilidades para a renovação da Força Aérea. Apesar disso, ainda não há um processo formal aberto para aquisição dos substitutos dos 28 F-16M atualmente em operação.

Favoritismo técnico e desafios políticos – A Força Aérea Portuguesa já havia apontado o F-35 como opção tecnicamente superior em análise divulgada extraoficialmente em maio pelo jornal ECO, que avaliou 20 critérios operacionais. O sueco Gripen E ficou em segundo lugar, seguido pelo francês Rafale e pelo europeu Eurofighter Typhoon. Apesar do favoritismo técnico, a decisão final continua pendente.

A escolha pelo F-35 esteve perto de ser descartada devido a preocupações expressas em 2025 sobre a dependência estratégica em relação aos Estados Unidos. O então ministro da Defesa, Nuno Melo, salientou a necessidade de analisar alternativas europeias e de priorizar a autonomia nacional diante de incertezas geopolíticas recorrentes nas relações transatlânticas.

Embora o modelo americano seja amplamente reconhecido por sua tecnologia furtiva de ponta, sensores integrados e interoperabilidade com aliados, operar o F-35 exige acesso contínuo à infraestrutura de manutenção, peças e software sob controle dos EUA — um fator que gera debate dentro do país.

A Lockheed Martin tem buscado amenizar as preocupações, alegando que os F-35 entregues a Portugal não seriam uma “caixa-preta” e que haveria espaço para manutenção local e participação de indústrias portuguesas no programa global do caça. A empresa também destaca as oportunidades de integração com outros operadores europeus do F-16 que vêm migrando para o F-35.

Apesar do destaque do F-35, Portugal continua avaliando caças europeus. O Gripen E é considerado por seu baixo custo operacional e integração facilitada; o Eurofighter Typhoon oferece ampla cooperação dentro da OTAN; já o Rafale traz experiência francesa em missões múltiplas. Custos, interoperabilidade, cronogramas e participação industrial serão fatores determinantes para a escolha.

A substituição dos F-16 deve envolver entre 14 e 28 caças, com valores que podem chegar a vários bilhões de euros. O processo deve considerar capacidades técnicas, contexto geopolítico e impacto industrial. O ministro da Defesa indicou que a análise formal deve ocorrer em breve, mas ainda sem cronograma ou edital definido.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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