Pouso de avião A340 iraniano com 10 toneladas de armas a bordo teria sido impedido por Israel: reporte

Em meio à escalada do conflito armado entre Israel e grupos terroristas no Oriente Médio, as pistas de pouso dos aeroportos sírios de Damasco e Aleppo foram bombardeadas por forças israelenses em 12 de outubro, deixando-as inoperantes por vários dias. No mesmo dia do ataque, um avião Airbus A340-300 de uma empresa iraniana teve que dar meia-volta.

A aeronave em questão voava de Teerã para Damasco, operada pela Mahan Air, uma empresa aérea gerenciada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e suspeita de realizar o transporte de armas para zonas de conflito. Como resultado da inutilização das pistas, o voo teve que retornar à sua origem, como mostram dados de plataformas de rastreamento de voos.

E agora, num desdobramento mais recente, suspeita-se que o voo estivesse transportando 10 toneladas de armas para a Síria, que poderiam alimentar os grupos terroristas ali lotados. A informação foi dada pelo jornalista Babak Taghvaee, citando um jornal israelense, em seu canal da rede X (antigo Twitter, ver abaixo).

De acordo com um relatório recente do Alma Center, um órgão de vigilância da defesa israelense sem fins lucrativos, a Mahan Air, maior companhia aérea civil comercial do Irã, tem sido usada como uma plataforma para o contrabando de armas para a Síria e o Líbano. Essas atividades são supostamente realizadas em nome do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

Fundada em 1991 pelo filho do ex-presidente Rafsanjani, a Mahan Air é considerada a maior companhia aérea comercial privada do Irã, com uma frota envelhecida de 30 aeronaves. A empresa costumava realizar rotas internacionais para a Europa, porém, nos últimos anos, sofreu com sanções impostas pelos Estados Unidos e países europeus.

Segundo o relatório, a Mahan Air possui uma divisão específica para contrabandear armas, conhecida como Unidade Especial 190, responsável pelo envio de componentes de armas avançadas para o Hezbollah no Líbano e para o regime de Bashar al-Assad na Síria. Essas operações são realizadas por meio de voos civis regulares da empresa.

O avião deu meia-volta sobre a Síria

A ligação direta da Mahan Air com a Guarda Revolucionária Iraniana é feita através de uma organização de caridade aparentemente civil chamada Mola al-Movahedin, que permite a realização desses envios de armas em voos comerciais. O relatório lista 63 pilotos da empresa que estariam envolvidos nessas operações, embora nenhum tenha qualquer vínculo público com a Guarda Revolucionária.

Entre os destinos desses supostos contrabandos, estão o Aeroporto Internacional de Beirute, no Líbano, e o Aeroporto Internacional de Damasco, na Síria. A Mahan Air também teria operado voos para Aleppo, cidade devastada pela guerra.

Além disso, o relatório aponta que os envios iranianos da Mahan Air têm sido alvo de ataques aéreos por parte de Israel, que tem como objetivo impedir o contrabando de armas para seus inimigos no Líbano e na Síria. No entanto, a Mahan Air continua a realizar esses voos.

O relatório do Alma Center indaga se esses envios de armas também poderiam estar chegando à Rússia, em meio ao conflito com a Ucrânia.

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Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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