
Michael O’Leary, CEO do grupo Ryanair, afirmou que as companhias aéreas europeias deverão se preparar para ao menos mais um ano de preços elevados do querosene de aviação, o que inevitavelmente deve se refletir em tarifas aéreas mais altas para os passageiros.
Segundo o executivo, o cenário de pressão nos custos pode durar de 12 a 18 meses, chegando até 2028, embora ele não preveja falta do combustível neste inverno europeu nem até o verão de 2027, salvo eventuais situações inesperadas.
O alerta foi feito durante uma coletiva em Bruxelas da associação Airlines for Europe (A4E), com a presença de líderes de Air France-KLM, easyJet, Lufthansa Group e IAG (British Airways e Iberia). O’Leary descreveu um contexto desafiador para as empresas, cujas margens seguem pressionadas apesar das operações de hedge contra flutuações do combustível.
O CEO da Ryanair destacou que o atual diferencial entre o preço do querosene e o barril de Brent, historicamente de 10% a 15%, está agora em cerca de 50%, impulsionado por problemas nas cadeias de refino e abastecimento global. Para o executivo, os clientes terão que arcar com parte desse custo extra: “As empresas só manterão sua sobrevivência repassando o aumento do combustível em tarifas mais altas. Caberá aos passageiros pagar”, afirmou.
O’Leary alerta que a pressão pode crescer em 2027, já que menos companhias mantêm coberturas de preço para o próximo ano. Isso as deixará mais expostas ao valor de mercado do combustível, levando mais empresas a reajustar os valores das passagens, tendência já visível no setor.
Apesar das tensões no Oriente Médio, O’Leary estima que não faltará combustível na Europa nos próximos meses, graças à elevação da produção de refinarias na União Europeia e ao aumento das importações. A Comissão Europeia declarou recentemente que o fornecimento está garantido por ora, mas um agravamento nos conflitos pode criar novo desequilíbrio.
As questões também envolvem a capacidade de refino, não apenas o acesso ao petróleo bruto. Ataques a refinarias russas e instalações no Oriente Médio têm reduzido a disponibilidade de querosene, elevando ainda mais o preço final.
Ryanair já ajustou sua malha de inverno 2026-2027, cortando dois milhões da meta anual de passageiros, de 216 para 214 milhões, limitando a exposição a combustível fora dos contratos de cobertura. A easyJet também anunciou redução de capacidade de cerca de 3% para o inverno, buscando driblar o impacto dos custos.





