
Após a tentativa de atentado terrorista no voo FZ-1073 da Flydubai, o governo de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ordenou uma revisão profunda nos procedimentos de segurança para voos operados por companhias aéreas estrangeiras com destino ao país.
Ainda sem detalhes divulgados, a expectativa é que as recomendações possam impor desafios inéditos não apenas às empresas, mas principalmente às tripulações internacionais.
No centro do debate está a dificuldade de controle total sobre antecedentes de pilotos e comissários contratados por companhias aéreas estrangeiras, especialmente quando informações sensíveis não são compartilhadas entre governos por falta de antecedentes criminais, acusação formal, ou mesmo de relações diplomáticas.
O caso mais recente envolveu um copiloto radicalizado enquanto vivia na Austrália e que conseguiu ingressar na Flydubai mesmo após sinais de alerta levantados por uma empresa anterior, sem que houvesse registro formal de risco.
Israel já obriga todas as companhias a enviar listas de passageiros e tripulantes antes do embarque, checando nomes em bancos de dados sigilosos. No entanto, reportagens locais trazem à tona um impasse: não havia um controle sistemático ou aprofundado sobre tripulantes de operadores estrangeiros, fenômeno agravado pela fragmentação das responsabilidades entre Ministério dos Transportes e serviços de segurança.
Atualmente, passageiros e tripulantes de voos como os da El Al, Israir e Arkia passam por rigoroso processo de entrevistas e revistas antes mesmo de chegar à aeronave, muitas vezes sendo submetidos a questionamentos altamente pessoais, checagem de bagagens, laptops e até análise de redes sociais. Para voos estrangeiros, vale apenas a segurança padrão do aeroporto de origem.
O desenrolar da revisão pode levar Israel a exigir checks rigorosos e presenciais, semelhantes ao padrão doméstico, para passageiros e tripulações de voos internacionais.
Para comissários e pilotos, isso representaria submeter-se a investigações extensivas do governo israelense, abrangendo família, histórico financeiro, redes sociais e até questões pessoais delicadas. Tripulantes de nacionalidade árabe, ou com determinadas origens, podem acabar sob escrutínio diferenciado.
A questão operacional também preocupa: e se um piloto ou comissário for vetado de última hora pela segurança israelense? A reposição imediata pode ser inviável, e algumas empresas podem ficar tentadas a escalar tripulações “sem risco” só para evitar complexidades, prática que esbarra em discriminação e pode afetar seriamente as rotinas das grandes companhias do Golfo, que empregam profissionais de mais de 100 países.





