
A crise institucional e judicial da Plus Ultra Líneas Aéreas atingiu seu ápice com a renúncia formal do presidente Julio Martínez Sola e do CEO e ex-diretor financeiro Roberto Roselli Miele.
Como detalhou o Aviacionline, a decisão ocorreu logo após o conselho de administração da empresa revogar seus poderes de representação, medida publicada oficialmente no Diário Oficial do Registro Mercantil (BORME).
O conselho nomeou Hugo Castaño, comandante e instrutor ativo de Airbus A330, minoritário na empresa desde 2014, como novo presidente executivo, responsável pelo controle operacional da companhia. No entanto, a efetivação da transição depende da aprovação da Sociedad Estatal de Participaciones Industriales (SEPI), órgão público que detém o controle financeiro da empresa.
A renúncia em bloco responde às investigações conduzidas pela Audiência Nacional espanhola, liderada pelo juiz José Luis Calama, que apura irregularidades na concessão do resgate público de €53 milhões em 2021, por meio do Fundo de Apoyo a la Solvencia de Empresas Estratégicas (FASEE).
O estopim para a saída dos executivos foram documentos judiciais nos quais ambos admitiram o pagamento de aproximadamente 1% do montante do resgate a empresas ligadas ao empresário Julio Martínez Martínez, proprietário da consultoria Análisis Relevante.
Martínez Martínez declarou em juízo ter atuado como intermediário em favor do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, supostamente mediando a obtenção da ajuda estatal.
As evidências incluem mensagens de texto e interceptações telefônicas encontradas no celular do empresário venezuelano Rodolfo Reyes Rojas, acionista da companhia que atualmente possui mandado internacional de prisão emitido pelo juiz Calama. Entre as conversas destacam-se diálogos que indicam o pagamento da comissão e a expectativa de retorno financeiro.
No aspecto financeiro, a Plus Ultra negocia com a SEPI a flexibilização dos prazos para pagamento da primeira parcela do resgate, no valor de €19 milhões, buscando postergar o vencimento para 2028. Contudo, as negociações enfrentam dificuldades devido ao andamento do processo judicial.
Nos próximos dias 7 e 8 de setembro, o juiz Calama convocou Martínez Sola e Roselli para depoimentos formais, onde deverão ratificar os documentos apresentados e detalhar o esquema de pagamentos e as mensagens trocadas.
Simultaneamente, a SEPI decidirá sobre a ratificação de Hugo Castaño como executivo principal e sobre o pedido de prorrogação financeira da primeira parcela do empréstimo.
A Plus Ultra deverá entregar ao tribunal as conclusões da auditoria interna para se desvincular institucionalmente do caso criminal. A nomeação de um perfil técnico como o de Castaño visa transmitir estabilidade operacional à Agência Estatal de Segurança Aérea (AESA) e garantir a continuidade das rotas de longa distância para a América Latina.





