
O Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou uma possível venda de 48 caças furtivos Lockheed Martin F-35 Lightning II para a Arábia Saudita, em um pacote estimado em US$ 24,3 bilhões. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (17), um dia após a perda de um caça Boeing F-15SA Strike Eagle saudita durante os combates no Iêmen.
A proposta envolve 48 aeronaves F-35A, além de 49 motores Pratt & Whitney F135-PW-100, sendo 48 destinados à instalação nos aviões e uma unidade sobressalente.
A autorização do Departamento de Estado representa uma etapa do processo de venda militar estrangeira dos Estados Unidos e não significa que a aquisição já tenha sido concluída. A operação ainda está sujeita aos procedimentos previstos para esse tipo de negociação, incluindo a análise pelo Congresso americano.
Caso a venda avance, a Arábia Saudita será o segundo país do Oriente Médio a utilizar o modelo, já que Israel voa hoje com os jatos F-35I, versão modificada localmente do F-35A.
O anúncio ocorre em meio a uma nova escalada militar envolvendo a Arábia Saudita e os Houthis no Iêmen. Na quarta-feira (16), o grupo afirmou ter derrubado um F-15 saudita sobre a província de Marib com um míssil superfície-ar. Imagens divulgadas posteriormente mostraram destroços identificáveis de um Strike Eagle da Real Força Aérea Saudita.
O governo saudita ainda não havia reconhecido publicamente a perda da aeronave, enquanto a situação dos dois tripulantes permanecia desconhecida. A queda ocorreu durante uma intensificação das operações aéreas sauditas contra posições dos Houthis e de ataques com drones e mísseis contra alvos na Arábia Saudita.
Além dos caças e motores, o pacote aprovado pelos Estados Unidos inclui equipamentos de comunicação segura, sistemas criptográficos e de navegação de precisão, suporte para guerra eletrônica, peças de reposição, equipamentos de manutenção e apoio logístico.
Também estão previstos simuladores e outros equipamentos destinados ao treinamento de pessoal, suporte para reabastecimento e traslado das aeronaves, documentação técnica, softwares classificados e não classificados, modificações e serviços de engenharia.
Segundo o governo americano, a possível venda tem como objetivo reforçar a segurança da Arábia Saudita, classificada pelos Estados Unidos como um importante aliado fora da OTAN, além de atender a objetivos americanos de política externa e segurança nacional.
A Lockheed Martin, responsável pela produção do F-35 em Fort Worth, no Texas, será a principal fornecedora das aeronaves. Já os motores serão fornecidos pela Pratt & Whitney, de East Hartford, Connecticut.
Caso a negociação avance até a contratação, a aquisição representará uma mudança significativa na capacidade de combate da Real Força Aérea Saudita, atualmente equipada com modelos como o Boeing F-15SA Strike Eagle, Panavia Tornado e o Eurofighter Typhoon. O F-35 acrescentaria à frota saudita uma aeronave de quinta geração com características furtivas e avançados sistemas de sensores e integração de dados.





