
Israel proibiu um piloto associado à United Airlines de entrar no espaço aéreo do país, sob a alegação de que ele teria demonstrado apoio ao Irã e ao Hezbollah. A decisão foi tomada após o Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo identificar relatos publicados nas redes sociais que acusavam o profissional de manifestar apoio a esses grupos.
O piloto foi identificado em diversas publicações como o comandante Sina Amjadian, de ascendência iraniana e que, segundo informações disponíveis, vive atualmente em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com seu perfil no LinkedIn, Amjadian trabalhou por cerca de sete anos na Flydubai antes de ingressar na United Airlines, onde teria atuado como comandante de Boeing 737, aeronaves utilizadas em voos domésticos e internacionais de curta distância nos Estados Unidos.
Há, porém, um detalhe no caso. Questionada sobre o assunto, a United Airlines afirmou categoricamente: “Este piloto não está voando atualmente pela United”.
Amjadian chegou a ser contratado pela companhia norte-americana, mas está afastado desde 2024. Não há informações sobre uma possível intenção de retornar às atividades na empresa.
O Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo de Israel informou ter identificado publicações na rede social X que acusavam o piloto de divulgar mensagens favoráveis ao atual regime iraniano, ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e ao Hezbollah, organização classificada como terrorista por Israel.
O ministério, contudo, não teve acesso às supostas publicações atribuídas ao piloto. Com base em informações de terceiros, o órgão encaminhou um dossiê ao Ministério dos Transportes de Israel, solicitando que Amjadian fosse impedido de operar voos que ingressassem no espaço aéreo israelense.
Em comunicado, o Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo afirmou que as informações levantadas “suscitam preocupação e exigem uma análise profissional de segurança”, considerando a função sensível desempenhada por pilotos de companhias aéreas internacionais e sua responsabilidade direta pela segurança de passageiros e tripulantes.
O órgão também declarou que monitora, reúne e analisa regularmente informações de fontes abertas, com atenção especial a manifestações de antissemitismo, incitação e ameaças contra judeus e israelenses em diferentes partes do mundo.
Sobre o caso, o comunicado acrescentou que relatos envolvendo Sina Amjadian, de ascendência iraniana e supostamente empregado pela United Airlines, chegaram ao conhecimento do ministério durante o monitoramento de publicações na rede X.
O Ministério dos Transportes confirmou que enviou uma notificação oficial à companhia aérea, informando que o comandante estava “absolutamente proibido de entrar no espaço aéreo do Estado de Israel”. A medida chama a atenção porque Amjadian não está atualmente em atividade pela United.
O caso ocorre pouco mais de uma semana depois de a United Airlines confirmar o afastamento de outro comandante, Ibrahim R. Mossallam, por comentários publicados na internet após os ataques de 7 de outubro de 2023 em Israel.
Na ocasião, Mossallam teria publicado no Facebook, poucas horas após o início dos ataques, uma mensagem na qual descrevia a ação como uma resistência de um povo que enfrentava décadas de ocupação, opressão, humilhação, apartheid e assassinatos. Ele também afirmou que o ataque não havia sido provocado e o caracterizou como uma resposta às ações do que chamou de regime sionista.
O comandante teria sido afastado pouco depois de os comentários virem à tona, mas posteriormente recebeu autorização para voltar a voar. Após uma tentativa frustrada de ataque terrorista envolvendo a Flydubai no mês passado, porém, a companhia confirmou que Mossallam havia sido novamente retirado das funções de voo.
O episódio envolveu o primeiro-oficial Hamam al-Hammami, que teria tentado assumir o controle de um Boeing 737 lotado para lançá-lo contra o terminal principal do Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv.
Diante desses episódios, o governo israelense busca demonstrar que está adotando uma postura mais rigorosa em relação a possíveis ameaças envolvendo pilotos de companhias aéreas. A iniciativa ocorre após questionamentos sobre a atuação dos serviços de inteligência, que não teriam impedido a tentativa atribuída a al-Hammami.
O governo já anunciou que tripulantes com dupla nacionalidade, sendo uma delas a de um dos 32 países que não mantêm relações diplomáticas com Israel, estão proibidos de trabalhar em voos com destino ao país. A restrição também se aplica a operações que apenas sobrevoem o território israelense.
A medida adota um critério abrangente baseado na nacionalidade dos profissionais, sem necessariamente considerar suas opiniões ou condutas individuais.
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