A volta dos que não foram: marca Alitalia deve retornar aos céus ainda neste ano

Numa reviravolta que para muitos era óbvia e para outros era uma interrogação, a ITA Airways anunciou que pretende usar a marca Alitalia novamente em suas operações a partir de março deste ano. Alfredo Altavilla, presidente da companhia aérea confirmou essa estratégia à comissão de transporte da legislatura italiana.

Conforme relatado no Il Corriere Della Sera, Altavilla disse aos parlamentares que “como em outras companhias aéreas europeias, que têm mais de uma marca sob o mesmo grupo”, a ITA pretende reincorporar a Alitalia. Não se sabe, porém como isso vai acontecer, já que, nas outras empresas aéreas europeias, as marcas têm características distintas (estrutura tradicional e low-cost, por exemplo). No caso da ITA e da Alitalia, uma delas poderia se tornar a low-cost do grupo, talvez. Enfim, ainda há muitas dúvidas.

De qualquer forma, o site parceiro Aviacionline lembra que isso seria um tapa na cara para a autoridade de concorrência da União Europeia, pois há menos de um ano esta ordenou a dissolução da antiga empresa e a criação de uma nova como condição para permitir as ajudas do Estado italiano.

Depois de meses defendendo que a ITA pagou 90 milhões de euros “para preservar a marca” e impedir que um concorrente a comprasse, Altavilla agora diz que “sempre tivemos a intenção de usar o nome para integrá-lo à oferta comercial”. A (re)incorporação da marca pode estar relacionada a tornar a ITA mais atrativa para conseguir uma aliança com as maiores empresas da Europa o quanto antes.

Aliança

Tal aliança é vista como estratégica pelos italianos. O processo de abertura para ouvir as ofertas desta aliança começará formalmente em fevereiro, quando será aberto o data room ao qual os interessados ​​poderão acessar para conhecer em profundidade os resultados da ITA durante este período de quatro meses de operação. 

É necessária uma aliança para que a Ita Airways permaneça no mercado, mas não pode ser uma fachada e se basear em falsos acordos comerciais: deve ser fundamentada em uma posição de capital”, disse Altavilla. Por outro lado, a ITA está deixando o importante hub de Milão Malpensa para se concentrar no que pode operar: Fiumicino, em Roma. Uma aliança pode dar tração suficiente para reconquistá-la antes que outras operadoras aproveitem a fraqueza e se consolidem no norte da Itália.

Assim, como em um daqueles filmes de suspense que não surpreendem ninguém, a marca Alitalia voará novamente representando a Itália no mundo.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias