As versões do gigante avião Airbus A380 que nunca foram para frente

O Airbus A380 definitivamente é um avião de opostos dado o seu tamanho incrível que lhe posicionou como maior aeronave de passageiros do mundo, mas também devido ao seu fracasso nas vendas. Mas a Airbus tinha muitos planos para ele, incluindo uma versão ainda maior e outra cargueira, acompanhe.

Airbus A380

O gigante da Airbus voou pela primeira vez em 2007 e de, lá para cá, conseguiu uma quantidade de vendas razoável. No entanto, havia uma concentração muito importante na Emirates Airline, que deixou o projeto totalmente dependente da empresa árabe. E, quando esta resolveu cancelar parte de sua encomenda original, não houve saída para a Airbus senão anunciar o encerramento da sua produção em 2021.

Para quem se lembra, a expectativa da fabricante europeia era ter o A380 como uma aeronave de tremendo sucesso, se aproveitando da limitação de grandes aeroportos globais e do grande crescimento da demansa. Portanto, ela chegou a desenhar e “prototipar” em escala, versões alternativas do super-jumbo que vão além do A380-800 de passageiros, que vemos atualmente.

O A380 Freighter (cargueiro)

A versão cargueira do gigante, denominada A380F foi a mais promissora depois da versão de passageiros. Ele seria basicamente um A380-800 modificado para levar carga e, mais do que isso, seria o primeiro avião do mundo a levar carga em três níveis: segundo piso, deck principal e porão de carga.

O seu concorrente direto, o 747, apesar de contar com “dois andares”, a carga de volumes continua apoiada sobre o deck principal. Uma vantagem do Jumbo da Boeing é o fato da cabine dos pilotos estar no piso superior, o que permite que as cargas sejam carregadas pela frente através da abertura do nariz. No A380 isso não seria possível porque a cabine de comando fica exatamente no meio entre o primeiro e segundo níveis.

Mesmo assim, a capacidade do A380F seria de 150 toneladas com alcance de 10.410km. O segundo piso acomodaria até 17 paletes de carga, com mais 28 paletes no primeiro piso e mais 13 no porão (onde habitualmente já vão as malas dos passageiros na versão atual). O volume total a ser transportado seria de 1.134 metros cúbicos. A Airbus afirmava que o jato levava 30% a mais de carga que qualquer Jumbo da Boeing.

As americanas FedEx e UPS chegaram a encomendar 10 jatos, mas após diversos atrasos na versão de passageiros, a Airbus acabou por dar prioridade a esta e atrasou também a cargueira. Pouco tempo depois as duas empresas de carga cancelaram as encomendas e o projeto também foi arquivado.

Um fato não muito comentado sobre o A380F é que ele teria uma porta de carga no piso superior, para a qual seria necessário construir um carregador de pallets com altura suficiente para o segundo deck do avião, o que geraria mais custos.

Muitos leitores nos questionam se os A380 que estão sendo sucateados agora não poderiam virar um “A380F”. A resposta é não, e por alguns motivos:

  • O A380-800F originalmente teria algumas modificações de fábrica na sua estrutura e trem de pouso para suportar as 150 toneladas de carga útil
  • Seria necessário cortar a fuselagem em, ao menos, dois pontos para fazer as portas de cargas nas laterais
  • O piso do deck superior também precisaria ser reforçado
  • Todo o custo e engenharia destas modificações, somados com a certificação adicional necessária e a questão do carregador que falamos acima, torna o projeto inviável financeiramente e até tecnicamente.

O A380 Plus

Esta versão é familiar para muitas pessoas que acompanham nosso site, pois havíamos adiantado em primeira mão o nome da nova versão lançada no Paris Air Show de 2017. Ele é basicamente um A380-800 com novos winglets e que foi entendida pelo mercado como uma medida da Airbus para conseguir mais encomendas da Emirates, que demandava uma versão mais eficiente do gigante quadrijato.

Os novos winglets e outros refinamentos aerodinâmicos reduziriam em 4% o consumo do A380. Com mudanças no programa de manutenção e aprimoramentos na cabine, o custo por assento por milha voada cairia cerca de 13%.

Toda essa economia não foi suficiente para convencer a Emirates, que queria um chamado A380neo, com novos motores (daí o Neo = New Engine Option). A Airbus não fez o A380neo dado que a Emirates seria a única compradora e a falta de pedidos foi o golpe de misericórdia no projeto. O A380plus foi a versão fracassada que mais avançou e chegou a ter até um protótipo.

A380-900, A380-1000…

Concepção Artística do A380-1000 © 3d_molier International

Quem olha para o A380 e entende um pouco de aerodinâmica, vê que o avião tem “muita asa” e sua fuselagem é relativamente curta quando comparada com outros grandes jatos.

Isso não foi projetado dessa forma à-toa: a ideia da Airbus desde o início era que o A380-800 fosse apenas a versão menor da família de gigantes. Apesar de nunca lançadas oficialmente, as versões -900 e -1000 poderiam levar respectivamente até 900 e 1000 passageiros se configurados em classe econômica única.

Desde o lançamento, a fabricante sempre afirmou que queria alongar a aeronave e que daria para levar mais de 1 mil passageiros. No entanto, novamente os atrasos da primeira versão, somado às vendas fracas fizeram a Airbus jogar fora estes planos.

E para você, qual destas versões seria a mais promissora caso lançada?

Carlos Martins
Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias