Com quebra de caixa, Itapemirim segue atrasando salários e benefícios de funcionários

No jargão contábil, a “quebra de caixa” é o momento em que as contas da empresa não casam e as dívidas não são pagas na data esperada ou são quitadas com improviso. Essa aparenta ser a realidade da Itapemirim Transportes Aéreos (ITA), que após assumir que passa por problemas financeiros, enfrenta novamente o atraso no pagamento dos salários e benefícios.

Informações de fontes próximas da empresa dão conta de que a equipe está com metade do salário atrasado há 10 dias, o Vale Refeição atrasado há um mês e o Vale Alimentação há quatro meses. Por sua vez, o Plano de Saúde também está suspenso, como alertou o Sindicato Nacional dos Aeronautas na semana passada.

“Na sexta-feira passada, quase 22h recebemos PIX nas contas e, sem qualquer aviso, 50% do salário foi depositado”, disse um funcionário sob condição de anonimato.

“Realmente precisamos que alguém olhe para os aeroviários, afinal aviação não é composto só por comissários e pilotos”, disse outro.

Por meio de um comunicado interno (abaixo), a empresa prometeu quitar, até o dia 17, próxima sexta-feira, os outros 50% do salário, mas os funcionários se dizem dependentes dos demais benefícios e não recebem um retorno objetivo. Enquanto alguns têm receio de questionar, outros dizem que não recebem uma previsão de sua gestão.

Problemas de comunicação

Clientes também reclamam da falta de atendimento da empresa. Há pouco mais de um mês, a Itapemirim suspendeu telefone do SAC e orientou por meio de um pop-up no site que os passageiros entrassem em contato apenas por e-mail. Durante as cinco semanas em que o telefone esteve fora do ar, a quantidade de reclamações em sites de proteção ao consumidor como Reclame Aqui e Consumidor.Gov explodiu.

Mesmo com o telefone de volta ao ar e com um chat online, as reclamações continuam a subir. Embora todas as empresas aéreas possuam problemas de atendimento, que podem ser evidenciados por uma consulta nos sites mencionados acima, a Itapemirim se destaca pela quantidade de gente que se diz desamparada pela falta de comunicação com a empresa.

Um membro da equipe da ITA disse que “os funcionários são abordados por passageiros no edifício da sede da empresa porque não tem atendimento“.

Com o tempo, todas essas reclamações tendem a se transformar em ações judiciais contra a empresa e, por consequência, devem gerar passivos ainda maiores, que vão contribuir para novas e “mortais” quebras de caixa, caso a companhia não consiga reequilibrar-se.

Aviões não chegaram

Por fim, mas não menos importante, a empresa enfrenta dificuldades para ampliar suas operações. Embora tenha dito que esperava terminar o ano com dez aeronaves, no momento apenas cinco estão voando e outras duas estão paradas em manutenção.

Três outros jatos do modelo A320 já têm o leasing assinado e os aviões estão pintados nas cores da empresa, mas até agora seguem distantes do Brasil por motivos não revelados. Até o momento do fechamento desta publicação, não havia um pedido para traslado dessas aeronaves ao Brasil.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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