Como será o esquema aéreo do Papa Leão XIV em sua visita à América do Sul

O Vaticano confirmou a visita do Papa Leão XIV ao Uruguai, Argentina e Peru, entre os dias 6 e 17 de novembro de 2026. Serão doze dias de atividades em nove cidades sul-americanas, o que demanda uma logística aérea complexa que envolve voos transatlânticos, conexões regionais e deslocamentos em aeronaves menores para localidades com infraestrutura limitada.

Como o Vaticano não possui aviões próprios para os deslocamentos internacionais do pontífice, toda a operação é organizada por meio de contratos charter com companhias aéreas comerciais, explicou o Aviacionline.

A tradição dita que o voo de partida do Aeroporto de Fiumicino, em Roma, seja realizado pela companhia aérea bandeira da Itália, atualmente a ITA Airways (ex-Alitalia), utilizando aeronaves como o Airbus A350-900 ou A330neo para rotas de longa distância.

A cabine é dividida entre o Papa, delegações oficiais, equipe de segurança e cerca de cinquenta jornalistas que custeiam suas passagens, ajudando a financiar o voo especial.

Quando a visita abrange vários países, o costume é que o voo entre nações seja operado pela companhia aérea do país de onde o pontífice parte. Já os deslocamentos internos de curta distância ficam a cargo das companhias aéreas locais, operadores privados ou forças armadas, dependendo da infraestrutura dos aeroportos envolvidos.

A primeira etapa da viagem será no Uruguai, de 6 a 8 de novembro. O trajeto Roma-Montevidéu, com mais de treze horas de voo, não é rota regular da ITA Airways, que deverá operar o voo charter.

A agenda inclui Montevidéu, Paysandú e Florida. Enquanto o aeroporto de Paysandú possui pista asfaltada e aceita voos comerciais, Florida conta com pista de grama, inviabilizando aeronaves comerciais tradicionais e exigindo transporte por turboélices leves ou helicóptero.

No dia 8, a delegação segue para a Argentina, com atividades em Buenos Aires, Luján e Córdoba. O voo sobre o Rio da Prata pode pousar tanto no Aeroparque quanto em Ezeiza, mas a expectativa é que seja o último, devido à infraestrutura para receber grandes públicos.

Para deslocamentos internos, a Aerolíneas Argentinas deve operar o voo a Córdoba, enquanto o trajeto a Luján poderá ser feito por terra ou helicóptero. Uma dúvida persiste sobre a operação do voo entre Uruguai e Argentina, já que o Uruguai não possui companhia aérea local que possa operar essa rota; possivelmente, a Aerolíneas Argentinas assumirá desde Montevidéu.

A última fase ocorre no Peru, de 11 a 17 de novembro, com visitas a Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa. O trajeto Buenos Aires-Lima deverá ser operado pela Aerolíneas Argentinas, seguindo a regra da companhia aérea do país de partida.

Os voos internos peruanos exigirão operadores capacitados para aeroportos com desafios específicos, como Cusco (alta altitude) e Pucallpa (na região amazônica), sendo provável que a LATAM, maior companhia do país, realize esses deslocamentos.

Para o retorno a Roma, há duas opções: contratar um charter de uma companhia aérea regional que opere voos intercontinentais ou a ITA Airways enviar um avião vazio para Lima, buscar a delegação e realizar o voo final para a Europa.

Embora muitas dúvidas ainda existam, a complexidade e o cuidado com os detalhes refletem a importância da missão papal e a expertise necessária para garantir segurança e pontualidade em toda a viagem.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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