
Na segunda-feira, 21 de setembro, o sistema de controle de tráfego aéreo (ATC) da região Nordeste dos Estados Unidos sofreu uma paralisação que durou mais de oito horas, gerando milhares de cancelamentos e atrasos em voos domésticos.
A causa foi o corte acidental de um cabo de fibra ótica em New Jersey, que fazia parte do sistema de comunicação da Federal Aviation Administration (FAA).
O incidente começou por volta das 9h45 (horário local), quando trabalhadores envolvidos em um projeto de armazenamento de vagões, próximo à linha ferroviária do Corredor Nordeste, acabaram interrompendo o cabo de fibra ótica reserva.
UPDATE: The telecom lines have been repaired, and all airport operations in the Northeast are resuming.
— Secretary Sean Duffy (@SecDuffy) September 21, 2026
It will take some time to clear all existing delays, so please check with your airline for the latest information. https://t.co/cqFWKQr0ar
Esse cabo era fundamental para as comunicações entre o centro de controle aéreo da área metropolitana de Nova York e o sistema em Philadelphia, responsável por grande parte do espaço aéreo da região.
Com a falha, a FAA precisou suspender os pousos em aeroportos importantes como Boston (BOS), Nova York (JFK e LGA), Newark (EWR) e Philadelphia (PHL). A situação só foi completamente normalizada às 18h30, com a liberação dos bloqueios em solo.
Segundo dados do FlightAware, a United Airlines foi a mais afetada, com 361 cancelamentos (11% de seus voos) e 777 atrasos (24%). A American Airlines teve 116 cancelamentos (3%) e 1.301 atrasos (37%). Já a Delta contabilizou 47 cancelamentos (1%) e 922 atrasos (25%). Esses números não incluem as subsidiárias regionais das companhias.
Mesmo após a resolução técnica, a retomada das operações ocorreu de forma gradual, dado o impacto em toda a cadeia operacional, como aviões e tripulações deslocados ou fora de posição, o que deve gerar reflexos até o dia seguinte.
O episódio ocorreu em um momento delicado, com a chegada de líderes mundiais a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o que aumentou a complexidade da logística aérea.
Responsabilidades pela falha ainda são alvo de debate. Inicialmente, o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, atribuiu o corte à equipe de construção da Amtrak, mas posteriormente verificou-se que o responsável foi um contratado da NJ Transit.
A NJ Transit afirma que o funcionário atuava a cerca de três metros das marcações nos cabos, deslocando a responsabilidade. A Verizon, proprietária do cabo, isentou-se de culpa, afirmando que sua infraestrutura estava funcionando plenamente e que enviou técnicos de pronto para reparar o dano.
Curiosamente, o cabo de fibra ótica foi instalado para evitar os problemas enfrentados anteriormente, quando cabos de cobre ocasionaram breves interrupções no controle aéreo. O incidente expõe, porém, fragilidades na redundância dos sistemas de comunicação do ATC.





