
A easyJet enfrenta uma ação judicial de pelo menos US$ 72 milhões perante o Tribunal Superior de Londres por seis Airbus A319 recebidos em leasing da STLC Europe Eight Leasing Limited, empresa irlandesa do grupo estatal russo GTLK (State Transport Leasing Company). Os liquidantes acusam a companhia aérea de rescindir os contratos em 2022, deixar os aviões em Madri-Barajas e Lárnaca sem a devida manutenção e provocar sua desvalorização. A easyJet respondeu que contestará integralmente a ação.
Os A319, fabricados em 2010, já estavam em leasing com a easyJet quando a GTLK Europe os adquiriu por volta de março de 2018. Eles foram retirados de serviço durante a pandemia e, em 2022, após a segunda invasão russa da Ucrânia, três foram enviados para Madri e três para o Chipre.
Em abril de 2022, a companhia notificou a rescisão dos contratos. A União Europeia havia incluído a GTLK em sua lista de sanções e, segundo a easyJet, isso impedia que os jatos fossem reparados ou submetidos a manutenção sem que a empresa violasse o regime europeu de sanções.
A GTLK Europe e a GTLK Europe Capital entraram em liquidação na Irlanda em 31 de maio de 2023, e a ação faz parte da tentativa dos liquidantes de recuperar ativos para satisfazer os credores das empresas.
A STLC Europe Eight reivindica US$ 36,7 milhões em aluguéis não pagos e juros, além de US$ 32,5 milhões pela perda de valor das aeronaves e € 2,8 milhões em taxas de estacionamento e aeroportuárias. O valor total da ação pode aumentar, uma vez que os três aviões que permanecem em Madri ainda não foram avaliados nem vendidos.
A tese dos liquidantes é que as sanções não se aplicavam a esses contratos porque os aviões nunca estiveram na Rússia e o lessor está constituído na Irlanda. A easyJet sustenta o contrário: com a GTLK sob sanções, não poderia cumprir suas obrigações de manutenção sem violar o regime europeu. A companhia ainda não apresentou sua defesa por escrito e não há data para a audiência, como informa o portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.
Dos seis Airbus A319 envolvidos no caso, os três que estavam em Lárnaca foram recuperados pelos liquidantes e vendidos em abril de 2026 à 3TOP Aviation Services para desmontagem e aproveitamento de componentes.
Segundo os liquidantes, o estado das células dessas aeronaves reduziu seu valor em pelo menos US$ 32,5 milhões em relação ao esperado. Os três A319-100 vendidos são os de números de série 4425, 4427 e 4444, anteriormente operados pela easyJet e equipados com motores CFM56-5B5/3. Os motores serão incorporados ao pool da 3TOP Aviation Services.
Os outros três aviões, de matrículas G-EZFX, G-EZFY e G-EZGB, permanecem em Madri e ainda não têm compradores anunciados.
A ação também representa um passivo contingente relacionado à operação de compra da easyJet pela Apollo, avaliada em cerca de US$ 7,7 bilhões, embora o processo judicial não seja apontado como a razão da aquisição.
O caso se soma à onda de litígios iniciada em 2022, quando as sanções ocidentais interromperam o leasing russo e Moscou reteve centenas de aviões pertencentes a lessors ocidentais. Neste caso, porém, a situação é inversa: uma companhia aérea europeia deixou de pagar e de realizar a manutenção de aeronaves pertencentes a um proprietário russo sancionado, e um tribunal de Londres deverá decidir se essa decisão foi lícita.





