Esse é o último ano em que será possível voar no Boeing 777 da Delta

Embora a empresa já tenha anunciado em maio que, no final do ano, retiraria de serviço os 18 exemplares de sua frota de Boeing 777 por conta do impacto causado pela pandemia do novo coronavírus. Na última semana a aérea anunciou que as aeronaves serão retiradas antes do previsto.

Avião Boeing 777 da Delta Air Lines

No último dia 18, Ed Bastian, CEO da Delta, durante a Assembleia Anual de Acionistas, declarou que as aeronaves serão retiradas durante o outono americano (que tem início no final de setembro).

“Teremos o voo do último triplo sete durante este outono”, declarou o CEO durante o evento, ao responder a um questionamento sobre as ações da empresa relacionadas à frota. Portanto, é muito provável que em novembro não haja mais Boeing 777 operando pela empresa.

O executivo declarou que, no momento em que o pico do verão for ultrapassado, a procura por voos começa a diminuir (isso se o mercado se recuperar a tempo da temporada) e a demanda por viagens de longo curso, como aquelas operadas pelo B777-200LR (para Sydney ou Joanesburgo, por exemplo) cai drasticamente. Portanto, Bastian acredita que este é o momento perfeito para retirar o modelo da frota, no entanto, ele não citou uma data específica.

O Boeing 777-200 entrou em serviço na Delta em 1999, atingindo o número de 18 aeronaves, incluindo 10 exemplares da variante 777-200LR de longo alcance, os quais começaram a chegar na empresa em 2008. Na época, segundo a aérea, a aeronave estava posicionada de forma única para voar sem escalas entre Atlanta e Joanesburgo, na África do Sul, além de Los Angeles para Sydney e outros destinos distantes.

A aérea já deixou claro que os B777 serão substituídos em suas operações de longo curso pelos Airbus A350-900 que, segundo a empresa, consomem 21% menos combustível por assento do que os 777.

No início de junho, os últimos exemplares dos McDonnell Douglas MD-88 e MD-90, realizaram seus voos finais com as cores da companhia, retirados de serviço também como parte da estratégia de economizar recursos.

Momento oportuno

Normalmente, os meses de inverno, para as empresas aéreas situadas no hemisfério norte, são os meses mais complicados. Elas precisam de uma forte temporada de verão e de uma previsível curva de reservas, para superar esses meses mais enxutos. No inverno no hemisfério norte, voos para vários locais destinados a férias e turismo, com poucas exceções, são descontinuados.

Além do verão, o período do Natal costuma gerar um grande movimento para as companhias aéreas, porém, esse não é o caso da Delta. A temporada de verão é forte para a empresa de Atlanta, mas o inverno não é tanto, já que a transportadora depende de passageiros que voam por meio de hubs parceiros, em vez de operar seus próprios serviços de longa distância sem escalas.

Assim, o período do ano definido para a aposentadoria do jato acabará por coincidir com um momento de queda nos números de operações da Delta, ainda mais se for levado em conta que os efeitos provocados pela pandemia ainda serão sentidos e levarão anos para serem superados pela indústria do transporte aéreo.

Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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