Estados Unidos projeta um novo hidroavião gigante para futuras guerras em locais distantes

O programa Liberty Lifter da DARPA (entidade de pesquisa ligada ao Departamento de Defesa dos EUA) foi apresentado com o conceito de projetar, construir, flutuar e voar um hidroavião acessível e disruptivo, que deveria operar eficientemente usando o efeito solo (menos de 100 pés acima da superfície, ou 30 metros), ser capaz de manter altitudes de voo de até 3.000 metros acima do nível médio do mar (MSL) e permitir transporte eficiente de grandes cargas em velocidades muito superiores às plataformas offshore existentes.

Como reporta o site parceiro Aviacionline, o Liberty Lifter usaria fabricação de baixo custo para construir um hidroavião inovador capaz de atender aos requisitos de carga pesada do Departamento de Defesa dos EUA (mais de 100 toneladas) e capaz de operar independentemente da existência de pistas ou portos.

Uma aeronave como o Liberty Lifter permitiria o rápido deslocamento de cargas pesadas em grandes distâncias e com custos inferiores aos de um avião, com velocidades superiores às de um navio. Essa capacidade pode ser fundamental para mobilizar forças através dos oceanos e provavelmente está sendo considerada para um eventual confronto com a China, que possui uma grande força de mísseis táticos com capacidade potencial para eliminar rapidamente as bases aéreas e navais dos EUA no Pacífico.

Outro teatro de operações onde um hidroavião como o desenvolvido pela DARPA seria muito útil é o Ártico, caracterizado por grandes distâncias de território inóspito e falta de infraestrutura logística adequada.

Efeito solo

Aeronaves que usam o efeito solo criam uma zona de baixa pressão acima das asas e uma zona de alta pressão abaixo das asas. Quando estão perto o suficiente do solo, o ar abaixo deles é pressionado contra a superfície, fazendo com que a pressão nessa área aumente ainda mais, o que, por sua vez, leva a um aumento na sustentação.

Isso permite o projeto de aeronaves que podem transportar grandes quantidades de carga útil por longas distâncias, porque o poder de mantê-las no ar é menor do que as aeronaves tradicionais precisariam.

Um vídeo (abaixo), ainda que breve, demonstra parte da capacidade da aeronave.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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