Exatos 40 anos atrás, um helicóptero britânico quebrava o recorde mundial de velocidade que até hoje não foi superado

Divulgação – Westland

Quatro décadas atrás, um helicóptero britânico Westland Lynx AH.1 especialmente modificado estabeleceu um recorde mundial de velocidade que permanece imbatível até hoje. A aeronave, registrada como G-LYNX, atingiu 400,87 km/h (216 nós) em uma tentativa oficialmente reconhecida pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI).

O feito ocorreu em 11 de agosto de 1986, no Reino Unido, após uma série de modificações realizadas especificamente para permitir que o helicóptero alcançasse velocidades muito superiores às de sua configuração convencional.

Antes da tentativa oficial, o G-LYNX voltou a voar em 1º de agosto de 1986, dando início a uma sequência de ensaios para avaliar o comportamento da aeronave após as alterações. O voo de recorde foi realizado em um trecho medido de 15 quilômetros entre Hartlake Bridge e West Huntspill, na região de Somerset Levels, na Inglaterra.

A velocidade registrada foi posteriormente verificada pela FAI e chegou a 400,87 km/h, representando um aumento de aproximadamente 9% em relação ao recorde anterior, estabelecido em 1978 por um helicóptero russo Mil Mi-24 Hind também modificado.

Para alcançar o resultado, o G-LYNX recebeu uma série de alterações no sistema propulsivo, na transmissão e na estrutura aerodinâmica. Entre elas estava a instalação de injeção de água e metanol nos motores Gem 60, que foram especialmente preparados para operar com maior potência.

O helicóptero também recebeu uma caixa de transmissão principal Westland WG 30 modificada, além de tubos de escape direcionados para a parte traseira. A aeronave incorporou ainda o estabilizador horizontal e as derivas verticais deslocadas utilizados no protótipo do WG 30, modificações necessárias para compensar o aumento do torque gerado pelo conjunto propulsor.

Outra etapa importante foi a redução do arrasto aerodinâmico. A estrutura recebeu um trabalho geral de acabamento e vedação para minimizar interferências no fluxo de ar durante o voo em alta velocidade.

No entanto, a principal inovação estava no conjunto de pás do rotor principal. O G-LYNX recebeu um dos primeiros conjuntos de pás desenvolvidos pelo BERP (British Experimental Rotor Programme), programa britânico voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias para rotores.

As pás utilizavam materiais compostos e um perfil aerodinâmico especialmente desenvolvido para aumentar a sustentação e permitir que o rotor produzisse mais potência. Uma das características mais marcantes era a ponta em formato de “pá” com enflechamento, projetada para reduzir a velocidade local do fluxo de ar e mantê-lo abaixo de Mach 1.

Essa característica era fundamental para evitar a formação de turbulência no escoamento em torno das pontas das pás. Em velocidades elevadas, esse fenômeno pode comprometer a sustentação aerodinâmica e limitar a velocidade máxima de um helicóptero.

A tecnologia desenvolvida no âmbito do programa BERP posteriormente se tornou uma característica padrão dos rotores empregados em helicópteros como o próprio Lynx e o EH101.

Mesmo após 40 anos, o resultado alcançado pelo G-LYNX continua sendo considerado um marco na história da aviação de asas rotativas. A marca de 400,87 km/h permanece como o recorde mundial absoluto de velocidade para helicópteros, evidenciando o impacto das soluções aerodinâmicas e propulsivas empregadas naquele projeto.

A Marinha do Brasil inclusive é uma utilizadora histórica dos helicópteros Lynx, contando hoje com cinco aeronaves do modelo Super Lynx, que já foram modernizadas. Estes helicópteros participaram das missões brasileiras da ONU no Líbano.

A única aeronave que superou este recorde foi o Airbus Racer, porém ele utiliza propulsores laterais e não é considerado um helicóptero tradicional, sendo mais um aeronave multi-plano:

Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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