
A crise que assolava a Flybondi desde 2025 chegou ao seu ápice em 2026. A companhia aérea low cost entrou oficialmente em falência após declarar cessação de pagamentos em março deste ano, acumulando uma dívida colossal de 609,6 bilhões de pesos.
Como informa o Aviacionline, a empresa, que já operou com uma frota ativa de até 14 aeronaves, chegou ao processo judicial praticamente sem aviões em condições de voo, patrimônio líquido negativo e centenas de funcionários demitidos.
O pedido de falência foi apresentado na Vara Comercial N° 24 da Justiça argentina, reconhecendo um quadro de colapso financeiro iniciado com a perda de capacidade operacional. Segundo balanços auditados, os ativos da Flybondi caíram de 293,4 bilhões para 176,1 bilhões de pesos entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, enquanto as dívidas subiram de 446,7 bilhões para mais de 609 bilhões.
O fluxo de caixa operacional já vinha negativo em 2025, situação agravada por atrasos em pagamentos, redução de voos, dificuldades na aquisição de combustível, manutenção e paralisação de fornecedores.
O colapso operacional foi vertiginoso: de uma média de 11,33 aviões ativos em meados de 2025, restaram cerca de 2,67 em julho de 2026. O número de voos realizados despencou 95% em seis meses e 81% das operações previstas para julho foram canceladas. A receita líquida de passagens desabou 91% no mesmo período. Em julho, a companhia já acumulava 57 dias sem voar.
As dívidas abrangem desde grandes fornecedores, como a YPF (R$ 15,9 bilhões em combustível), empresas de handling, tecnologia (com suspensão de serviços), órgãos públicos (com bloqueios judiciais em mais de R$ 1,5 bilhão) e débitos trabalhistas e previdenciários que somam R$ 54,3 bilhões.
Mais de 826 funcionários restaram na folha, após demissões em massa e acordos não pagos. No setor de clientes, passageiros afetados por voos cancelados, cerca de 383 mil em 2026, entram agora na lista de credores sem garantia, na fila para possíveis reembolsos via o processo de falência.
A falência da Flybondi segue de forma independente da OCA, controlada pelo mesmo grupo e também em recuperação judicial, reduzindo os riscos de contaminação entre processos, mas eliminando as chances de reconstrução conjunta.
A empresa alega manter estrutura e pessoal qualificado, sistemas e contratos, mas não opera voos há meses por falta de capital, aviões e crédito no mercado.
O futuro da companhia depende agora de uma injeção de recursos substancial para tentar reativar as operações. A Justiça irá analisar se existem condições reais de continuidade do negócio enquanto empresas concorrentes, como a JetSMART, já ocupam as rotas antes oferecidas pela Flybondi, cuja participação de mercado despencou para quase zero.





