
Trabalhadores de uma empresa responsável pelo fornecimento de refeições para voos no Aeroporto Internacional de Los Angeles denunciaram exposição a baratas, larvas e mofo em uma reclamação apresentada na última quarta-feira (12) à Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia, a Cal/OSHA.
A denúncia é direcionada à Flying Food Group, empresa de catering que atende diversos dos aeroportos mais movimentados dos Estados Unidos. Segundo a reclamação, funcionários da unidade localizada em Inglewood, na Califórnia, também enfrentariam falta ou insuficiência de sabonete e papel para secagem das mãos nos banheiros da instalação.
O sindicato UNITE HERE Local 11, responsável por apresentar a denúncia, pediu que a Cal/OSHA realizasse uma inspeção no local. A entidade também enviou uma carta à Los Angeles World Airports, organização municipal que administra o aeroporto de Los Angeles, alegando que um inspetor da Cal/OSHA teria sido impedido de entrar na instalação.
Em resposta ao The New York Times, a Cal/OSHA informou que recebeu a denúncia e abriu uma inspeção, mas não forneceu outros detalhes nem comentou se seu inspetor havia sido impedido de acessar o local.
A Flying Food Group rejeitou as acusações. Em comunicado, a empresa afirmou que “rejeita categoricamente” o que classificou como uma narrativa falsa e enganosa em torno da denúncia apresentada pelo sindicato, acrescentando que a reclamação não descreve com precisão as condições existentes em sua instalação.
A companhia também afirmou que mantém negociações prolongadas e contenciosas com o sindicato desde 2022 e declarou que defende seus padrões de segurança alimentar e higiene, comprometendo-se a cooperar integralmente com qualquer análise regulatória. A Los Angeles World Airports recusou-se a comentar o caso.
Um dos principais relatos da denúncia envolve uma funcionária que afirmou ter sido orientada, no fim de junho, a limpar pratos que estavam dentro de um carrinho mantido fechado por um longo período.
Ao abrir o equipamento, segundo a reclamação, ela teria encontrado dezenas de pratos cobertos por alimentos em decomposição e mofo. Muitos deles continham o que pareciam ser larvas vivas e moscas, além de um forte odor.
A trabalhadora teria sugerido que os pratos fossem descartados, mas, segundo a denúncia, um supervisor recusou a proposta e informou que eles seriam necessários para um voo programado.
A funcionária relatou ter sentido dores de estômago, dor de cabeça e uma sensação incomum no nariz, que atribuiu à inalação do mofo. A denúncia também afirma que ela não recebeu equipamentos de proteção adequados.
Segundo o UNITE HERE Local 11, a Flying Food Group fornece refeições para mais de uma dezena de companhias aéreas internacionais que operam no Aeroporto Internacional de Los Angeles, entre elas Air France, Japan Airlines, Lufthansa, Qantas, Singapore Airlines e Virgin Atlantic.
Outro episódio citado na denúncia envolve uma funcionária que, em dezembro de 2025, afirmou ter fotografado baratas na cozinha e em um carrinho utilizado pela Lufthansa.
Tal Muscal, porta-voz da Lufthansa, informou que a companhia não tinha conhecimento prévio do caso. Segundo ele, o Lufthansa Group exige que suas empresas de catering cumpram rigorosos padrões de segurança alimentar e higiene e poderá tomar as medidas apropriadas caso esses padrões não sejam atendidos.
A Virgin Atlantic declarou não possuir evidências de que o serviço de catering fornecido a seus passageiros tenha sido comprometido, mas afirmou estar levando as acusações a sério. As demais companhias citadas não responderam aos pedidos de comentário.
Fundada em 1983, a Flying Food Group opera 19 instalações de catering nos Estados Unidos e atende aeroportos como Washington Dulles, Chicago O’Hare, San Francisco, John F. Kennedy, Newark Liberty e Los Angeles. Em seu site, a empresa afirma manter uma cultura rigorosa de segurança alimentar.
O sindicato e a Flying Food Group mantêm uma disputa envolvendo as condições de trabalho nas unidades da empresa em Los Angeles. Em janeiro, dois funcionários da instalação de Inglewood teriam ficado presos por vários minutos dentro de uma câmara frigorífica trancada enquanto ocorria um incêndio nas dependências.
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