
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos concedeu licença para que a Belavia, companhia aérea estatal de Belarus, volte a negociar diretamente com a Boeing, incluindo o fornecimento de peças de reposição, componentes e atualizações de software.
A autorização, divulgada em 31 de outubro, representa um avanço em relação às restrições impostas nos últimos anos, mas ainda não garante a compra confirmada de novas aeronaves.
O diretor-geral da Belavia, Igor Cherginets, comemorou a decisão, afirmando que a medida facilitará o acesso a materiais essenciais para manutenção e operação da frota de aviões Boeing da empresa.
Ele destacou que a licença abre espaço também para negociações futuras visando a aquisição de novos aviões, sem detalhar modelos, quantidades ou cronogramas.
A medida complementa autorizações anteriores do Departamento do Tesouro dos EUA, que tratam das sanções financeiras. Agora, com a permissão do Departamento de Comércio, a Belavia pode, ao menos em parte, reestabelecer um canal direto para adquirir peças, documentação e suporte técnico essencial para manter sua frota ativa, composta, além dos Boeing, por modelos Airbus e Embraer.
Atualmente, entre 80% e 85% das remessas internacionais com destino à frota da Belavia precisavam antes ser processadas em outros países, o que dificultava o suporte e elevava custos de manutenção. Com a licença, parte dessas operações pode ser feita diretamente, reduzindo intermediários e ampliando a eficiência operacional da estatal bielorrussa.
A autorização não significa, entretanto, a ausência completa de restrições. As licenças americanas seguem critérios rigorosos e ainda estão sujeitas a sanções e normas adicionais de exportação, tanto dos EUA quanto da União Europeia, que ainda impõe severas restrições à Belavia desde o episódio do desvio forçado do voo da Ryanair em 2021.
Além disso, a possibilidade de novos negócios, como a aquisição de aeronaves Boeing 737 MAX 8, dependerá de diversos fatores, incluindo viabilidade financeira, condições regulatórias e as regras dos demais mercados, como o europeu.
Apesar do recente alívio nas restrições, qualquer negociação será condicionada a novas aprovações governamentais e às atuais limitações políticas e diplomáticas que ainda restringem o acesso pleno da Belavia ao Ocidente.
A decisão reflete um cenário de gradativa reaproximação entre Washington e Minsk, especialmente após gestos diplomáticos e flexibilizações em resposta a demandas políticas internacionais. Entretanto, a normalização completa dos negócios entre a Belavia e fornecedores ocidentais segue distante, com o suporte da Boeing representando, por ora, uma significativa, mas limitada, abertura.





