Índia inicia processo de compra de cargueiros militares em contrato de R$ 54 bilhões no qual a Embraer tem apenas um concorrente

Foto: Embraer

A Índia iniciou formalmente hoje (12) um amplo processo para renovar sua frota de aviões militares de transporte, com a abertura de uma licitação para a aquisição de 60 aeronaves destinadas à Força Aérea Indiana. O projeto está estimado em cerca de 1 trilhão de rúpias, valor equivalente a aproximadamente R$ 54 bilhões, e deverá envolver a participação de empresas indianas e de um fabricante estrangeiro.

A disputa tende a ficar concentrada entre a brasileira Embraer, com o KC-390 Millennium, e a americana Lockheed Martin, que oferece o C-130J Super Hércules. Os requisitos técnicos estabelecidos pela Força Aérea Indiana devem limitar a competição aos dois modelos.

O Ministério da Defesa da Índia encaminhou os documentos da licitação a pelo menos quatro empresas do país, que terão papel de liderança no programa. Entre as companhias convidadas estão Tata, Adani, Mahindra e Hindustan Aeronautics Limited (HAL).

Pelo modelo previsto, as empresas indianas serão responsáveis por apresentar as propostas para atender à necessidade da Força Aérea Indiana, em parceria com um fabricante internacional. Após a análise das ofertas, o processo deverá passar por uma auditoria técnica, testes das aeronaves e uma seleção final baseada nas propostas técnico-comerciais.

Foto: USAF/Aaron Irvin

A dimensão do programa faz com que o processo de escolha possa levar mais de dois anos até a definição do vencedor. Além da avaliação dos aviões, o projeto prevê uma ampla participação da indústria indiana na fabricação das aeronaves.

A Mahindra Defence estabeleceu uma parceria com a Embraer para apresentar o KC-390 Millennium na concorrência. O modelo brasileiro é um avião multimissão desenvolvido para realizar transporte de tropas e cargas, lançamento de paraquedistas e outras missões militares.

Do outro lado da disputa, a Lockheed Martin conta com a Tata Advanced Systems como parceira indiana para oferecer o C-130J Super Hércules. O modelo americano já está em serviço na Força Aérea Indiana, principalmente em missões especiais. A Tata também possui experiência na fabricação de aeronaves militares no país, produzindo o C295 da Airbus para a própria Força Aérea Indiana.

A própria Airbus não foi citada pela mídia indiana, apesar de ter oferecido o A400M, mas, como a aeronave é bem maior e leva até 37 toneladas, ante 26 do KC-390 e 19 do C-130J, teria ficado de fora, já que o edital prevê cargas entre 18 e 30 toneladas. Mesmo excedendo esse quesito, o A400M tem um preço de aquisição e operação mais elevado e, como as outras concorrentes já tendem a atender a esse requisito, a Airbus provavelmente considerou a chance de sucesso baixa.

O programa estabelece ainda que aproximadamente 20% das aeronaves poderão ser entregues em condição de voo diretamente pelo fabricante, enquanto a maior parte deverá ser produzida na Índia. A previsão é que essas aeronaves tenham mais de 60% de conteúdo nacional, ampliando a participação da indústria indiana no projeto.

A fabricação local deverá ocorrer por meio de joint ventures entre as empresas indianas selecionadas e os fabricantes originais das aeronaves, com a participação da HAL. Dessa forma, além de substituir parte da atual frota de aviões de transporte, o programa pretende ampliar a capacidade da Índia de produzir aeronaves militares em território nacional.

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Mateus Santana
Mateus Santana
Fascinado por aviões desde pequeno é piloto comercial de aeronaves na América do Norte

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