Indonésia encaminha fim da coprodução do caça KF-21 e avalia compra de caças prontos

A Indonésia confirmou o encerramento de seu programa de coprodução do caça KF-21 Boramae em parceria com a Coreia do Sul, sinalizando uma mudança importante na estratégia de defesa aérea do país.

Em vez de investir na fabricação local da aeronave, Jacarta agora foca na aquisição de caças prontos para uso, ao mesmo tempo em que conclui os compromissos financeiros revisados previstos no acordo bilateral.

O ambicioso projeto, iniciado em 2015 pela Korea Aerospace Industries (KAI) para desenvolver e produzir o KF-21, tinha como objetivo fortalecer a indústria aeroespacial indonésia por meio de transferência tecnológica e produção local, com a estatal PT Dirgantara Indonesia (PTDI) encarregada da montagem de 48 unidades do modelo Block-I em Bandung. No entanto, desafios financeiros e mudanças nas prioridades de aquisição acabaram por alterar o curso da cooperação.

Inicialmente, a Indonésia concordou em arcar com 20% dos custos estimados em 1,6 trilhão de won, mas atrasos nos pagamentos e negociações prolongadas marcaram o programa. Além disso, denúncias de vazamento de dados sensíveis envolvendo engenheiros indonésios complicaram ainda mais o relacionamento entre os países.

Em 2024, Jacarta tentou estender seu cronograma de pagamentos até 2034, proposta rejeitada pela Coreia do Sul por impactar o cronograma de introdução do caça.

Após negociações, foi firmado um acordo que reduziu a contribuição financeira indonésia para 600 milhões de won, porém com uma transferência tecnológica mais restrita. Como resultado, em vez de avançar com a produção local, a Indonésia receberá apenas um protótipo monoposto do KF-21.

Yusuf Jauhan, chefe da Agência de Logística de Defesa indonésia, confirmou que os planos de fabricação nacional foram abandonados, encerrando as especulações sobre o futuro do projeto conjunto.

Embora a possibilidade de operar o KF-21 futuramente não esteja descartada, as autoridades de defesa do país consideram mais viável adquirir aeronaves completas do que investir em linhas de montagem e infraestrutura industrial.

Paralelamente, a Indonésia avalia alternativas para renovar sua frota aérea, com destaque para a ampliação do pedido de 42 caças Dassault Rafale da França, firmado em 2022, conforme reportado pela Defense News.

O governo também avançou na negociação para comprar 48 caças furtivos KAAN da Turkish Aerospace Industries, com entrega prevista a partir de 2032, o que diversificará as capacidades aéreas do país.

Com o fim da produção doméstica do KF-21, a estratégia de defesa indonésia volta-se para a aquisição de aeronaves já testadas e prontas para serviço, visando acelerar a modernização da frota e manter flexibilidade para futuras decisões de compra.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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