
As obras de ampliação do Aeroporto Mário de Almeida Franco, em Uberaba (MG), provocaram problemas de drenagem e danos ao pavimento de ruas próximas, segundo relatos de moradores. Após meses de reclamações e a atuação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os reparos começaram, mas ainda há serviços a serem concluídos.
Nesta semana, o vereador Ripposati Filho vistoriou os trabalhos na rua Yolanda Derenusson Silveira, acompanhado de moradores. “Foi iniciado o serviço, mas, no nosso entendimento, tem muita coisa a ser concluída”, afirmou o parlamentar.
Desde dezembro de 2025, Ripposati Filho recebeu diversas reclamações de moradores dos bairros Umuarama e Pontal sobre o grande volume de água e terra que descia da área das obras durante as chuvas. A enxurrada atravessava os bairros e chegava à avenida Dona Maria de Santana Borges, uma das ligações viárias da região sudoeste da cidade, além de provocar danos ao asfalto.
Segundo o vereador, a empresa responsável pelas obras de reforma e ampliação do aeroporto, administrado pela Aena, não teria realizado uma análise dos impactos da intervenção sobre a vizinhança. “Quando vieram as primeiras chuvas, a água com terra desceu em volume muito grande, como um rio, atravessando os bairros. No período de seca, a poeira também perturba os moradores. Acionamos os setores responsáveis e a Defesa Civil porque a situação precisava de uma resposta”, declarou.
Em março de 2026, os moradores encaminharam um abaixo-assinado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A partir da mobilização, a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Uberaba instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na execução das obras de ampliação do aeroporto pela empresa Bloco de Onze Aeroportos do Brasil S/A, especialmente em relação à possível ineficiência das medidas de contenção de sedimentos.
Para acompanhar as providências, o vereador solicitou participação no procedimento como terceiro interessado. A apuração resultou em um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a empresa e o MPMG.
O acordo estabeleceu o pagamento de R$ 94.043,66 para reparar os danos causados ao pavimento da rua, valor já repassado à Prefeitura. Também foi prevista outra quantia de igual valor como compensação ambiental, destinada ao Núcleo Interdisciplinar de Estudo e Ações Ambientais do Triângulo Mineiro (NIEA).
A Prefeitura já iniciou a recuperação do trecho afetado, com a aplicação de novo revestimento asfáltico. O TAC também prevê a comprovação da conclusão parcial das obras, especialmente das intervenções no sistema de drenagem.
Em julho de 2026, o MPMG promoveu o arquivamento do inquérito civil, mas determinou que o cumprimento das obrigações previstas no acordo continue sendo acompanhado por meio de um procedimento administrativo próprio.
O vereador Ripposati Filho afirmou que seguirá fiscalizando os serviços até a conclusão das intervenções previstas.
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