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Poderia a Boeing mudar o nome do 737 MAX?

MAX groundeados na fábrica
MAX na fábrica da Boeing aguardando entrega

Entendemos que a resposta é SIM. Veja nossa análise abaixo.

Com a desconfiança do mercado e dos passageiros, a Boeing enfrenta um verdadeiro dilema com a família 737 Max. Nessa semana, durante o Paris Air Show, executivos da empresa não conseguiram esclarecer a questão à imprensa, gerando mais dúvidas do que respostas. Algumas matérias saíram com o teor de que sim, a empresa estaria disposta a abrir mão do nome Max e outras que não, não há planos de mudança.

Os executivos querem dizer que não estão preocupados com isso agora, mas sim com a retomada da credibilidade e, obviamente, com o retorno das vendas. Principalmente, numa semana dominada por notícias de novos contratos da sua concorrente.

Mas, nos bastidores, é certo que há uma (grande) preocupação.

A verdade é que o mercado olha para o futuro e os dois acidentes recentes com aeronaves Max da Lion Air, da Indonésia e da Ethiopian Airlines levantaram questionamentos sobre os controles de qualidade fabricante americana e deram origem a uma resistência quanto ao uso da aeronave, resultando em seu grounding a nível global e largos prejuízos.

Se olharmos ao passado, no entanto, o sucesso da família Boeing 737 ao longo das últimas cinco décadas é inquestionável. Com cerca de 11.000 unidades produzidas desde 1966, ele lidera a lista de jatos comerciais mais fabricados na história e continua sendo a principal sustentação de muitas empresas aéreas ao redor do mundo.

Avião Boeing 737 MAX 8 Gol
A GOL tem 7 MAX groundeados

O que acha o mercado?

O nome MAX está deteriorado e todas as grandes mídias reportam os acidentes e remediações dando destaque ao modelo. Ou seja, não se está tratando de forma genérica, mas sim claramente diz-se que o problema é com o MAX.

Do ponto de vista de marketing isso é péssimo e certamente está sendo olhado com cuidado nos corredores da Boeing, apesar dos executivos negarem. No fundo, o termo MAX surgiu com fins de marketing, onde deu-se um novo sobrenome ao 737 na tentativa de dar destaque às melhorias implementadas e novas tecnologias. Por isso, considerar um passo atrás e ajustar o nome agora é algo perfeitamente aceitável.

Para piorar, declarações públicas como a de Donald Trump (abaixo) e do presidente da Qatar Airways só colocam mais lenha nessa fogueira e devem fazer com que os executivos das empresas apostem seriamente na mudança.

Uma opção talvez seja voltar-se ao nome “original”: Boeing 737-8, 737-9… expurgando o MAX de uma vez.

Com base na história, é muito mais certo dizer que a Boeing sairá dessa, apesar de todas as dores do momento. A troca de nome, se acontecer, não vai ser do dia para a noite, mas pequenos sinais serão dados ao mercado. Acompanhemos.

Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.