Sindicato denuncia aérea easyJet por contratação de pilotos autônomos em base no Marrocos

Imagem: Nabil Molinari, CC BY-NC-SA 2.0, via Flikcr

A low-cost britânica easyJet enfrenta críticas do Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha Aérea (SNPL) por sua estratégia de recrutamento na nova base em Marrakech, inaugurada na primavera de 2026.

Segundo o sindicato, a companhia estaria contratando pilotos sob regime de trabalho autônomo, por meio de uma empresa intermediária sediada na Irlanda, o que levanta dúvidas sobre a proteção social e as condições laborais desses profissionais, conforme reportado pelo jornal francês La Tribune.

A base de Marrakech, primeiro ponto de operação da easyJet no continente africano, conta atualmente com três aeronaves e oferece cerca de trinta rotas para a Europa. Estima-se que a unidade gere aproximadamente 100 empregos diretos, dos quais cerca de 60 seriam cargos de pilotos.

Até o momento, as tripulações designadas para a base são provenientes de outras unidades do grupo, mas a intenção da empresa é fixar pilotos localmente por meio de um novo modelo de contratação.

De acordo com o SNPL, os pilotos recrutados para atuação em longo prazo passariam por contratos estabelecidos via Storm Global, empresa especializada em fornecimento de mão de obra aeronáutica na Irlanda.

Essa modalidade envolveria contratos de trabalho para profissionais autônomos ou não empregados, algo inédito na rede easyJet e que, segundo o sindicato, visa a redução máxima de custos para ampliar margens financeiras.

O SNPL alerta para o risco de prática de dumping social, com transferência dos encargos sociais e financeiros para os pilotos, incluindo proteção social limitada e ausência de cobertura em casos de afastamento.

Além das questões trabalhistas, o sindicato manifesta preocupação com possíveis impactos na segurança operacional, embora não haja até o momento relatos de incidentes relacionados a essa prática.

A easyJet, por sua vez, não confirmou nem negou os detalhes contratuais, mas ressaltou que nenhum piloto atualmente em Marrakech foi contratado via prestadora de serviço e justificou que o uso de agências de recrutamento é comum no setor aéreo marroquino, adotado por outras companhias também.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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