
A possível integração entre a KLM Cityhopper e a SAS Link poderá abrir novas oportunidades de cooperação na operação dos jatos regionais da Embraer na Europa.
As duas companhias aéreas, que utilizam aeronaves da família E-Jets, poderão compartilhar recursos de manutenção, treinamento de tripulantes e até mesmo capacidade operacional, caso o grupo Air France-KLM conclua a aquisição do controle acionário da Scandinavian Airlines (SAS).
Atualmente, o grupo franco-neerlandês possui 19,9% das ações da SAS, mas pretende ampliar sua participação para 60,5%, tornando-se acionista majoritário da companhia escandinava. A operação ainda depende da aprovação das autoridades regulatórias, prevista para os próximos meses.
Enquanto a transação não for concluída, as empresas precisam manter suas atividades independentes, apesar de já existir algum nível de cooperação comercial entre a KLM Cityhopper e a SAS Link.
Durante a assembleia geral da Associação Europeia de Companhias Aéreas Regionais (ERAA), realizada em Belfast, o diretor-geral da KLM Cityhopper, Maarten Koopmans, explicou à revista Aviation Week que a integração poderá criar oportunidades para melhorar a eficiência das operações.
Segundo o executivo, ainda não é possível avançar nas negociações para uma colaboração mais ampla, mas a expectativa é que novas sinergias sejam estudadas assim que houver autorização para a aquisição.
Uma das principais oportunidades está relacionada à semelhança entre as frotas das duas operadoras. A KLM Cityhopper possui atualmente 17 jatos Embraer E175-E1, 17 aeronaves E190-E1 e 25 aviões E195-E2, enquanto a SAS Link opera aproximadamente 14 aeronaves E195-E1.
A KLM Cityhopper já conta com 25 unidades do E195-E2 e deve comprar mais aeronaves do mesmo modelo. Por sua vez, a SAS possui uma encomenda de 45 jatos da família E2, cujas entregas estão previstas para começar no final de 2027.
Com a ampliação das frotas, as empresas poderão encontrar vantagens na utilização de estruturas conjuntas para manutenção e no treinamento de pilotos e demais tripulantes, reduzindo custos e facilitando a padronização de determinados procedimentos.
O vice-presidente de Operações Aéreas e Produção Externa do Grupo SAS, Mikael Wangdahl, também considera que a futura aproximação poderá trazer benefícios, especialmente na gestão de peças de reposição e na manutenção das aeronaves.
Outra possibilidade mencionada pelo executivo é o compartilhamento de capacidade entre as operadoras em situações nas quais uma delas enfrente falta de aeronaves disponíveis ou tenha aviões excedentes. Esse tipo de colaboração permitiria ajustar a oferta de voos conforme as necessidades operacionais de cada empresa.
A KLM Cityhopper já utiliza um modelo semelhante dentro do grupo Air France-KLM, recorrendo à companhia francesa HOP para complementar sua capacidade operacional, mas ainda precisa com frequência alugar jatos Embraer com tripulação da German Airways.
Atualmente, a SAS também contrata aeronaves com tripulações de outras empresas, fechando acordos com a CityJet, que opera jatos CRJ, e a BRA (Braathens), com turboélices ATR.
Apesar das oportunidades identificadas, qualquer negociação mais aprofundada entre a KLM Cityhopper e a SAS Link dependerá da conclusão da operação societária. Wangdahl estima que as conversas poderão avançar entre o final de 2026 e meados de 2027, quando as empresas deverão ter maior liberdade para avaliar uma integração operacional.
A aproximação poderá representar um novo capítulo para os jatos da Embraer no mercado europeu, especialmente com a chegada dos novos E195-E2 à SAS e a possível ampliação da frota do mesmo modelo na KLM Cityhopper:





