Talibã ameaça empresa aérea com armas e pressiona para baixar preço das passagens

A única companhia aérea estrangeira com voos regulares para o Afeganistão acabou de suspender as operações no país após ameaças armadas.

A empresa Pakistan International Airlines (PIA) era a única que estava mantendo voos regulares para o país nas últimas semanas, fora as nacionais Kam Air e Ariana Afghan Airlines (outras empresas, como a Qatar, vinham realizando voos não-regulares). Os voos estavam sendo mantidos pelo apoio do governo do Paquistão ao grupo extremista.

No entanto, a paciência parece ter acabado para a PIA, que segundo a Al Jazeera teria reclamado das mudanças constantes nas regulações para operação no país, citando até a ameaça armada a funcionários da empresa por descumprimento dos novos regulamentos. O homem só foi solto após a Embaixada do Paquistão em Cabul interferir na situação.

A gota d’agua, porém, foi a exigência do governo do Talibã por baixar os preços das passagens, que haviam subido mais de 20x após a saída dos EUA e volta do grupo extremista ao poder do país.

Um bilhete que antes custava algo entre $120 e $150 dólares (R$660~R$827) disparou e chega hoje a custar $2500 (R$13 mil). Dentre os motivos, estão o monopólio da rota Cabul – Islamabad, mas, principalmente, segundo a PIA, o preço do seguro.

O risco de uma aeronave da PIA ser danificada ou destruída por atos terroristas aumentou significativamente depois da saída dos EUA, fazendo com que o seguro por voo chegue à faixa de $400 mil dólares, que segundo a PIA torna o voo rentável apenas se 300 passagens ou mais embarcarem nas faixas atuais de valor.

O Ministro do Transportes do Afeganistão afirmou em nota oficial que “os preços devem ser ajustados para que correspondam as tarifas que estavam antes da vitória do Emirado Islâmico”.

Com isso, a PIA parou os voos para a capital Cabul, deixando o país novamente isolado, dependendo apenas das duas aéreas nacionais, que tem restrições de destino por receio de outros países, além da fronteira terrestre, que tem sido aberta e fechada frequentemente.

Outras empresas aéreas que tem feitos voos humanitários e esporádicos para o país, como a Emirates Airline e a Qatar Airways, não se pronunciaram se vão manter os voos para o Afeganistão e se o preço do seguro tem impactado as operações.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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