Taxa de acidentes na aviação comercial cai, mas número de mortes sobe para 387, mostra relatório anual da ICAO

Em 2025, a aviação comercial programada transportou cerca de 5 bilhões de passageiros em 38 milhões de voos ao redor do mundo, superando os recordes de 2024.

O relatório mais recente da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) analisou as operações regulares de transporte aéreo de passageiros e cargas realizadas por aeronaves com peso máximo de decolagem superior a 5.700 kg.

Apesar do aumento no volume de operações, o número total de acidentes caiu de 95 em 2024 para 85 em 2025, representando uma redução de 13% na taxa geral de acidentes, que passou para 2,2 por milhão de decolagens (ante 2,6 no ano anterior).

A maior melhora foi observada nos acidentes fatais, aqueles com pelo menos uma vítima, que caíram de 10 para 4, uma redução de 60%, com a taxa fatal indo de 0,27 para 0,11 por milhão de decolagens.

Segundo Toshiyuki Onuma, presidente do Conselho da ICAO, “esses resultados mostram que a aviação pode e deve continuar se tornando mais segura, mesmo com o crescimento do número de passageiros. Refletem a liderança da ICAO em décadas de colaboração entre Estados e indústria para identificar riscos, aprender com acidentes, fortalecer a supervisão e melhorar a segurança globalmente.”

Apesar da queda nos acidentes fatais, o número absoluto de mortes aumentou de 296 para 387 entre 2024 e 2025. A taxa de fatalidade, calculada por bilhão de passageiros transportados, subiu de 65 para 78.

Isso se deve à concentração de vítimas em acidentes de grande escala: apenas um acidente em 2025 foi responsável por 260 mortes, desequilibrando as estatísticas anuais.

Este desafio evidencia que, embora os mecanismos gerais de prevenção sejam eficazes, eliminar completamente eventos catastróficos permanece uma prioridade crítica para a aviação moderna.

Categorias de alto risco e prioridades do Plano Global de Segurança

No âmbito do Plano Global de Segurança da Aviação (GASP), a ICAO foca em cinco categorias históricas de ocorrências de alto risco que causam a maioria das perdas humanas:

Perda de controle em voo (LOC-I): principal preocupação, representando quase um terço dos acidentes fatais de alto risco. Exige investimentos contínuos em treinamento, sistemas de aeronaves, gestão de segurança e desempenho humano.

Voo controlado contra o terreno (CFIT): embora tenha ocorrido apenas um acidente CFIT em 2025, este representou mais de 10% das fatalidades. A manutenção de tecnologias de alerta, consciência situacional da tripulação e salvaguardas operacionais são essenciais.

Colisões em voo (MAC): quatro acidentes em 2025 causaram cerca de 15% das mortes. A manutenção de separação segura via sistemas de prevenção de colisão e gestão do espaço aéreo é prioridade, especialmente com o aumento do tráfego e a incorporação de novos usuários, como drones e veículos de Mobilidade Aérea Avançada (AAM).

Incursões em pista (RI): nenhum acidente registrado em 2025, resultado das ações do Plano Global de Segurança para Pistas e melhorias em procedimentos aeroportuários e conscientização.

Saídas de pista (RE): sete acidentes em 2025, com um deles resultando em fatalidades.

Desafios regulatórios e supervisão estatal – O Programa Universal de Auditoria de Supervisão da Segurança (USOAP) da ICAO indicou melhoria global em 2025, alcançando média de 69,88% e aumento no número de Estados com supervisão adequada. Contudo, três fraquezas persistem:

– Resolução efetiva de problemas identificados
– Manutenção de equipe técnica qualificada
– Realização contínua de inspeções e vigilância eficaz

Juan Carlos Salazar, secretário-geral da ICAO, afirma: “Dados orientam os Estados a focar onde os riscos são maiores. A ICAO está comprometida em oferecer capacitação, assistência técnica e apoio à implementação para avanços mensuráveis.”

Rumo à meta de zero fatalidades – A meta aspiracional da ICAO é eliminar fatalidades na aviação internacional causadas por acidentes ou interferências ilícitas. Os dados do relatório auxiliarão os Estados-membros a adequar seus planos nacionais e regionais de segurança, promovendo um ciclo contínuo de notificação, análise, monitoramento e ação direta para reduzir ainda mais os acidentes fatais.

Carlos Ferreira
Carlos Ferreira
Editor - Estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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