
O CEO da United Airlines, Scott Kirby, fez uma verdadeira campanha pela consolidação da companhia aérea americana e conversou não apenas com um rival, mas com dois.
Em abril do ano passado, ficou pública a oferta feita por Kirby à American Airlines para uma consolidação das duas empresas, numa fusão que criaria a maior companhia aérea já existente no mundo, com quase 2 mil aeronaves em operação própria, além de outras centenas em operação terceirizada por meio das subsidiárias regionais.
Porém, logo após, a American foi a público, desmentiu a informação e descartou qualquer possibilidade de fusão. Boa parte do mercado considerou o movimento ousado, tendo em vista que a United é menor que a American e a Delta em número de passageiros transportados, frota e voos diários, sendo superior às concorrentes apenas em destinos atendidos.
Kirby depois foi a público e reconheceu a tentativa de fusão, limitando-se apenas a dizer que “poderíamos fazer algo incrível juntos para os clientes“. Agora, uma reportagem exclusiva do Wall Street Journal apontou que Kirby foi atrás da Delta, a outra concorrente da United.
O CEO da United teria ligado para Ed Bastian, CEO da Delta, e feito uma proposta por telefone para iniciar conversas sobre uma eventual fusão. Segundo a reportagem, a Delta chegou a fazer uma análise preliminar, mas descartou a proposta, e as negociações não avançaram.
O senso comum é que qualquer uma das quatro maiores empresas, incluindo também a Southwest Airlines, não teria aprovação do governo americano sob as atuais leis antitruste, visando não aumentar a concentração de mercado. Isso ficou claro quando as menores JetBlue e Spirit Airlines tentaram se fundir, o que foi negado na época pela Justiça americana.
Esse tema foi motivo de crítica do Partido Republicano, já que a decisão ocorreu durante a administração do democrata Joe Biden. Porém, na própria ocasião, a oposição foi limitada, já que a justificativa era válida dentro do contexto de mercado. Dada a situação crítica da Spirit, estava claro que, se não houvesse a fusão, a empresa iria à falência, o que acabou acontecendo, tornando inevitável a concentração de mercado.
Já o caso da United é diferente, já que a empresa é saudável e lucrativa, assim como suas concorrentes mais diretas. A aposta de Kirby estaria no atual mandato de Trump, que já se demonstrou mais propenso a aprovar fusões de grandes empresas, sendo vista uma janela de oportunidade única, apesar de ser extremamente improvável que isso seja alcançado.





