
A British Airways está endurecendo as regras para passageiros que tiram fotos ou gravam vídeos a bordo de suas aeronaves e nas áreas de embarque. A companhia incluiu novas disposições em suas condições de transporte que proíbem o uso de óculos inteligentes com inteligência artificial da Meta para filmar discretamente funcionários ou outros passageiros.
A nova política foi implementada poucos meses após a empresa proibir fotografias e gravações de vídeos de comissários de bordo e outros funcionários que atendem diretamente os clientes sem o consentimento expresso dessas pessoas. A restrição também se aplica a transmissões ao vivo, conforme informou o Paddle Your Own Kanoo.
A medida envolve uma questão delicada no Reino Unido, onde a legislação sobre privacidade em espaços públicos permite, em determinadas circunstâncias, que pessoas sejam fotografadas ou filmadas sem autorização. No entanto, a definição de espaço público é fundamental para determinar os limites dessa prática.
Como o acesso a uma aeronave da British Airways depende da compra de uma passagem e do cumprimento das condições estabelecidas pela companhia, o interior do avião não é tratado da mesma forma que locais públicos, como ruas, parques e áreas abertas de aeroportos. Dessa forma, a empresa pode estabelecer regras próprias para o comportamento dos passageiros durante o transporte.
Essas disposições estão reunidas nas Condições Gerais de Transporte da British Airways, documento que determina o que os passageiros podem ou não fazer e quais medidas a companhia pode adotar em caso de descumprimento das regras.
A empresa alterou duas seções do documento para deixar explícito que não são permitidas fotografias, gravações de vídeo ou transmissões ao vivo que registrem funcionários sem o consentimento deles.
A seção 7A.10 estabelece que a British Airways pode se recusar a transportar passageiros que assediem ou adotem comportamentos ameaçadores, abusivos, ofensivos, desordeiros ou inadequados em relação aos funcionários em solo ou à tripulação. A disposição também inclui a gravação de vídeos, transmissões ao vivo e fotografias de integrantes da equipe sem autorização.
Já a seção 11A prevê medidas adicionais para quem descumprir a regra. Nesses casos, a companhia pode determinar que o passageiro deixe a aeronave, recusar seu transporte em outro voo, inclusive em um trecho de retorno já reservado, e comunicar o caso à polícia.
A British Airways não é a única empresa aérea a adotar esse tipo de restrição. Outras companhias estabeleceram regras semelhantes há vários anos para impedir que passageiros registrem imagens de funcionários sem consentimento.
Na KLM, por exemplo, os comissários de bordo fazem anúncios no início dos voos para lembrar os passageiros de que fotografias e gravações da tripulação dependem de autorização. Em outros casos, as restrições decorrem de leis nacionais de privacidade, como ocorre na Alemanha, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
Embora a aplicação dessas leis esteja sujeita à jurisdição de cada país, empresas sediadas nesses locais, como Lufthansa, Qatar Airways e Emirates, também podem estabelecer regras próprias para os passageiros de seus voos.
O uso dos óculos inteligentes da Meta continua permitido na British Airways. No entanto, passageiros que utilizarem o dispositivo poderão ser questionados por funcionários que suspeitem de gravações feitas sem consentimento.
Os óculos possuem um indicador luminoso de LED que sinaliza quando a gravação está em andamento. Há, porém, relatos de usuários que cobrem deliberadamente essa luz para ocultar que estão registrando imagens.
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