
A chegada da TAP Air Portugal ao Grupo Lufthansa poderá abrir uma nova oportunidade de vendas para a Embraer, que tentará manter um cliente fiel aos jatos brasileiros.
No anúncio feito hoje em Lisboa para a venda de até 49% das ações da TAP para o Grupo Lufthansa por € 1,20 bilhão, foi incluído um amplo cronograma de modernização de frota para que a companhia aérea portuguesa chegue a 130 aeronaves na próxima década.
Enquanto se destacou a chegada dos oito jatos A350-900, marcando a volta aos planos de frota da maior família de aeronaves em produção hoje pela Airbus, também foi comentado sobre a subsidiária regional da TAP, a Portugália.
Segundo o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, o projeto inclui, além dos A350XWB, “a modernização da já velinha frota da Portugália. Isso também é relevante para nós e a Portugália faz parte de todo este universo TAP“.
Outros detalhes não foram fornecidos, mas, por ser uma subsidiária integral da TAP, a Portugália também faz parte do negócio, já que nenhuma divisão da companhia aérea portuguesa foi desmembrada para venda.
Hoje a Portugália opera sob a marca TAP Express com 19 jatos Embraer E190-E1 e E195-E1, sendo a grande maioria herdada da Azul Linhas Aéreas, que era acionista da empresa portuguesa até 2020, quando a reestatização foi feita. Estas aeronaves são configuradas para 106 e 118 passageiros, respectivamente, realizando voos para cidades médias da Europa, além de suplementar as rotas feitas com os jatos da família Airbus A320.
Os jatos brasileiros já têm 15 anos de idade em média e já se aproximam da época de substituição, mas a TAP não chegou a elaborar um plano para a troca deles, exatamente por aguardar a privatização e a entrada de capital.
Hoje o Grupo Lufthansa opera jatos deste mesmo modelo na Air Dolomiti, da Itália, e na Austrian Airlines, sendo que esta última está aposentando o modelo e repassando algumas unidades para a primeira. Por outro lado, a Lufthansa optou pelos jatos A220 da Airbus em detrimento dos jatos brasileiros para a nova Lufthansa City, sendo que, no passado, a outra subsidiária de nome parecido, a CityLine, também contava com aviões da Embraer.
Como o próprio futuro da frota da Air Dolomiti ainda não foi decidido, e ela tem uma média de idade praticamente igual à da Portugália, acaba se abrindo uma nova oportunidade para a Embraer vender os jatos E2 dentro do Grupo Lufthansa, mas certamente contará com a disputa da Airbus com o A220.
Caso a Air France-KLM tivesse vencido a disputa, facilitaria o caminho para a fabricante brasileira na Portugália, tendo em vista que a KLM e a SAS operam jatos brasileiros, tanto da antiga como da nova geração.
A integração da TAP ao Grupo Lufthansa ainda será feita nos próximos 24 meses, e não se espera que, no curto prazo, se anuncie um processo de compra para os jatos regionais.




