Depoimento do piloto particular de Hitler vem à tona após russos retirarem sigilo histórico

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) tirou o sigilo de alguns documentos do arquivo de investigação do piloto aéreo pessoal de Adolf Hitler, Hans Baur, comandante do “esquadrão do Fuhrer”, incluindo o depoimento sobre os últimos dias e as horas finais da guerra nazista, quando membros do alto escalão estiveram escondidos em um bunker de concreto sob o prédio da Chancelaria do Reich, em Berlim.

Como informa a agência de notícias TASS, o centro de relações públicas do FSB disse, em uma nota, que o material inclui documentos oficiais do serviço de contra-inteligência militar soviético Smersh (a sigla russa de “Morte aos Espiões”) das forças da 1ª Frente Bielorrussa que estavam avançando em direção a Berlim na primavera de 1945 e tinham a tarefa especial para rastrear e prender Hitler e outros líderes da Alemanha nazista. 

Os oficiais da Smersh participaram pessoalmente do ataque ao Reichstag e ao “Fuhrerbunker”, como foi chamado o abrigo subterrâneo fortificado onde Hitler e seu ministro da Propaganda Joseph Goebbels passaram os últimos meses da guerra.

Depois que o Fuhrerbunker foi apreendido, em 2 de maio de 1945, e os agentes da Smersh detiveram todo o pessoal da SS que tentava escapar de Berlim, uma campanha começou a reunir informações sobre os prováveis ​​esconderijos das principais figuras do Terceiro Reich.

Dentre os detidos estava o comandante do “esquadrão do Fuhrer”, Hans Baur, disse o FSB, que assim como outros prisioneiros, foi repetidamente questionado sobre as circunstâncias da morte de Hitler. Seus testemunhos estão guardados no Arquivo do Estado da Rússia.

Testemunhos de Baur

Como decorre do testemunho de Baur, de 8 a 10 de janeiro de 1945, ele foi convocado para levar Hitler a Berlim.

“Em Berlim, Hitler ficou ainda mais rabugento e retraído. Ele se isolava em seu abrigo a maior parte do tempo”, disse Baur. “Fui chamado a ele apenas quando me deram alguma tarefa de voo ou pediram informações sobre a duração de um voo para um destino ou outro.”

Além disso, Baur disse que Hitler “tentou criar a impressão de otimismo e certeza sobre a vitória da Alemanha”. Sua comitiva achava que “aparentemente Hitler ainda tem alguns recursos para levar a guerra a uma conclusão bem-sucedida. Alguns suspeitavam da existência de uma nova arma secreta, como uma bomba atômica ou “raios da morte”“.

Quando o Exército Vermelho chegou, membros do alto escalão nazista começaram a ter dúvidas se a presença em Berlim era viável e, em meados de março, os assessores concluíram os preparativos para transferir o quartel-general para a costa do Mar Báltico. “No início de abril [1945], tudo estava pronto para transferir a sede do comando supremo para o norte ou para Berghof no sul”, disse Baur. Ele manteve vários aviões em alerta caso Hitler decidisse deixar Berlim. 

No início de abril, aviões do “esquadrão Fuhrer” foram enviados para seis aeródromos em Berlim. Quando o Exército Vermelho cruzou o Oder, uma estrada perto do Portão de Brandemburgo foi transformada em pista.

“Todas as noites, 4 a 5 aviões com documentos, bagagem e passageiros partiam de Berlim para Berchtesgaden. Manter contato com os aviões e tê-los de volta era o maior problema”, reconheceu o piloto de Hitler.

Baur disse que a última vez que viu o líder nazista foi no dia do suicídio do Fuhrer, 30 de abril. Hitler o convidou para seu quarto e o presenteou com um retrato do imperador Frederico, “o Grande”, que estava pendurado na parede. 

Baur tentou escapar de Berlim, mas acabou ferido e preso em 2 de maio pelo Exército Vermelho.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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