
O Serviço de Segurança da Ucrânia (SSU) anunciou a neutralização de uma rede de espionagem em larga escala operada pela inteligência militar da Rússia, conhecida como GRU. Segundo o órgão, as informações obtidas pelos agentes poderiam ter sido utilizadas para planejar e executar ataques com mísseis contra bases aéreas das Forças Armadas da Ucrânia.
A investigação apontou que a rede fornecia informações relacionadas a aeródromos militares ucranianos que abrigam caças F-16 Fighting Falcon e Mirage 2000. De acordo com o SSU, o grupo era formado por 14 pessoas residentes em diferentes regiões da Ucrânia.
Segundo o órgão ucraniano, a GRU inicialmente recrutou um morador de Lviv que administrava um canal sobre aviação no Telegram. O homem teria chamado a atenção dos serviços de inteligência russos depois de publicar fotografias de aeronaves de combate das Forças Armadas da Ucrânia em grupos de mensagens alinhados ao Kremlin.
Para cumprir as tarefas recebidas, o agente teria recrutado 13 de seus próprios seguidores, sem que eles soubessem que estavam sendo utilizados em uma operação de espionagem. Os indivíduos possuíam equipamentos fotográficos de alta qualidade e residiam nas proximidades de instalações de aviação das Forças de Defesa ucranianas.

De acordo com o SSU, os participantes receberam a tarefa de fotografar aeródromos, aeronaves militares, tripulações e equipes técnicas, além de registrar os horários de decolagem e pouso, na prática conhecida como spotting e que tem sua origem exatamente na Primeira Guerra Mundial com observadores civis repassando informações de aeronaves em voo para a inteligência de seu país. As atividades eram apresentadas como uma forma de produzir conteúdo para o canal de aviação mantido pelo morador de Lviv.
Para realizar as fotografias, os envolvidos utilizavam câmeras profissionais e se posicionavam em edifícios abandonados ou áreas abertas próximas às bases aéreas. As imagens eram armazenadas em um repositório on-line ao qual o agente havia concedido previamente acesso aos participantes.
Posteriormente, o administrador do canal encaminhava o material fotográfico ao seu contato na Rússia, cuja identidade teria sido identificada pelo SSU.
Além das imagens, o agente também teria repassado aos russos informações sobre os horários de voo de helicópteros de combate. Segundo a investigação, esses dados foram obtidos diretamente de um comandante de esquadrão de aviação das Forças Armadas da Ucrânia, que teria fornecido as informações voluntariamente.
Durante as buscas realizadas nas residências dos suspeitos, os investigadores encontraram smartphones e equipamentos fotográficos digitais contendo evidências de colaboração com a Rússia. Também foram localizadas fotografias de instalações de aviação das Forças de Defesa ucranianas.
O SSU informou ainda ter bloqueado quatro canais e dez grupos temáticos no Telegram nos quais eram compartilhadas fotografias e outras informações relacionadas às unidades de aviação das Forças Armadas da Ucrânia.
Os investigadores notificaram formalmente o agente apontado como responsável pela rede, seu cúmplice e o oficial militar sobre as suspeitas de envolvimento em crimes contra as bases da segurança nacional da Ucrânia.
O órgão afirmou que a investigação continua para identificar e responsabilizar todos os envolvidos. A operação foi conduzida pela Contrainteligência Militar do SSU, sob supervisão processual do Ministério Público Regional de Lviv.





