
A Swiss pretende encerrar de vez a operação de seus Airbus A220, também anunciando a saída do maior A220-300 num futuro breve.
A retirada ocorrerá em etapas: os nove A220-100 deixarão de operar até o fim de 2027, enquanto os 21 maiores A220-300 deverão permanecer na companhia até a década de 2030. A saída dos A220-100 já havia sido confirmada pela empresa, como relatamos aqui.
A decisão faz parte da estratégia de reduzir a complexidade operacional e os custos associados à manutenção de diferentes modelos. Durante a apresentação dos resultados trimestrais, nesta terça-feira (03) o diretor financeiro da Swiss, Dennis Weber, reafirmou que a companhia pretende simplificar sua frota: “Modelos diferentes de aeronaves sempre significam uma necessidade maior de treinamento e de manter mais peças de reposição. Isso torna a manutenção mais trabalhosa, porque precisamos manter diferentes qualificações entre nossos profissionais de manutenção”.
A saída dos A220-100 já está em andamento e foi motivada inicialmente pelos problemas nos motores Pratt & Whitney, que apresentaram desgaste prematuro. A necessidade de revisões provocou períodos de indisponibilidade não planejados e custos adicionais para a empresa.
Para preservar a operação dos A220-300, de maior capacidade, a Swiss passou a utilizar motores retirados dos A220-100. A transferência é possível porque os motores são praticamente idênticos.
Dois A220-100 já haviam sido retirados de serviço para fornecer motores, e outros três estavam passando pelo mesmo processo, segundo Weber. As quatro aeronaves restantes continuarão voando durante a temporada de verão de 2027 no Hemisfério Norte.
No caso dos A220-300, a decisão de retirá-los também está tomada, mas sua execução ocorrerá em um horizonte mais distante. “Estamos falando da década de 2030”, disse Weber.
A Swiss avaliará se a capacidade retirada deverá ser substituída, no médio e no longo prazo, por unidades adicionais dos A320neo e A321neo. O executivo ressaltou que a escolha não representa uma avaliação negativa do A220, modelo que, segundo ele, é bem recebido tanto pelas tripulações quanto pelos passageiros, apesar do episódio que resultou na morte de uma comissária em uma destas aeronaves.
Existe a grande possibilidade dos jatos ficarem ainda dentro do Grupo Lufthansa, já que a ITA Airways também opera o modelo, e a Lufthansa City Airlines deverá incorporá-lo em breve, embora não tenha sido anunciado um destino para os aviões da Swiss.
A medida da Swiss tem algumas semelhanças com a da KLM, que ontem informou que não terá o A320neo em detrimento de mais jatos A321neo, de maior capacidade, enquanto colocará os jatos Embraer E2 no lugar dos 737-700 e 737-800 de saída. A diferença é que, no caso da KLM, a operação do E2 é feita pela subsidiária KLM Cityhopper, que tem contratos trabalhistas diferentes e um custo operacional menor, enquanto na Swiss os A220 são operados pela própria matriz, com a terceirização sendo feita apenas na Helvetic, que manterá os jatos Embraer em operação.
Neste modelo, as duas empresas têm algo em comum: estão deixando a matriz com jatos maiores que têm custo de assento menor naturalmente, enquanto as prestadoras de serviço, do próprio grupo ou não, ficaram com aviões brasileiros para rotas de menor densidade, sem ter um jato para o “espaço” que fica entre os jatos Embraer na faixa de 130 assentos e os A320/A321neo de mais de 180 assentos.
A retirada marcará uma mudança em uma relação iniciada há cerca de 18 anos, quando o Grupo Lufthansa assinou uma carta de intenções para adquirir até 60 aeronaves da então família Bombardier CSeries. O compromisso ajudou a fabricante canadense a avançar com o desenvolvimento do programa, posteriormente incorporado pela Airbus e rebatizado como A220.
A primeira unidade, de matrícula HB-JBA, chegou a Zurique em 1º de julho de 2016, e fez o primeiro voo comercial do modelo CSeries no mundo no dia 15 de julho, com um voo para Paris, sendo um marco para a Bombardier na época. Em uma rara ocasião o A220 da Swiss voou até o Brasil, realizando um tour de demonstração promovido pela Airbus, sendo até hoje a única visita de uma aeronave da família A220 no país na configuração comercial:





