
EXCLUSIVO – A Iberia tem colocado a renovação de frota como uma de suas prioridades dentro do seu plano de negócios que será concluído nesta década, e espera que a Air Nostrum acompanhe este ritmo.
O chamado “Plan de Vuelo 2030” tem como objetivo aumentar a frota de jatos de longo curso da empresa espanhola de 45 para 70 aeronaves, incluindo o novo A321XLR da Airbus, além de substituir praticamente todos os jatos da família A320ceo por aeronaves A320neo visando atingir até 2050 a meta de zero emissões de carbono líquidas.
Dentro deste plano estão inclusas a subsidiária Iberia Express e a low-cost Vueling, mas não a Air Nostrum, que é uma companhia aérea separada apesar de prestar serviços praticamente exclusivamente para a Iberia Regional, voando turboélices ATR 72 e jatos regionais canadenses Bombardier CRJ-1000.
Em entrevista ao AEROIN diretamente da sede da Iberia em Madri, o diretor de estratégia, transformação e sustentabilidade da Iberia, Diego Fernandez, nos explicou um pouco da relação da companhia com a terceirizada: “Eles têm decisão própria para sua frota. O que fazemos é uma parte da atividade da Air Nostrum, temos um acordo de capacidade em que contratamos capacidade para que operem, e isso não mudará“.
Hoje os nove aviões ATR 72 da Air Nostrum são configurados para 72 passageiros, enquanto os 33 jatos CRJ-1000 possuem 100 assentos. A frota tem média de 12 anos de idade, não sendo aeronaves consideradas velhas, mas também não estão distantes do ponto de substituição, considerado entre 15 e 20 anos de uso.

Na categoria do ATR existe apenas o próprio ATR 72 como aeronave substituta, porém na categoria do CRJ-1000 o único a atender à demanda hoje para 100 assentos é o E190-E2 da Embraer, modelo um pouco menor que o E195-E2 já usado pela concorrente Binter Canárias, que trocou os CRJ pelos aviões brasileiros.
Porém a Binter focou no longo alcance dos jatos Embraer para poder voar a mais destinos no continente europeu a partir das Ilhas Canárias, enquanto as rotas da Iberia Regional focam mais na península ibérica continental como um todo.
O concorrente dos Embraer, o A220, também seria uma opção, mas representaria um salto maior em capacidade do que a Iberia hoje exige: a versão A220-100 voa hoje mais na configuração de 110 ou 125 assentos, mais próxima do E195-E2.
“Uma hora a Air Nostrum deverá tomar as decisões necessárias para manter a operação que tem e a capacidade que nos oferece. Mas a Air Nostrum tem para nós um propósito muito claro que é naquelas rotas curtas e médias onde a demanda é muito pequena, dado que operam aviões de 100 assentos com os quais podem cobrir estas rotas, o que com um A320neo (de 186 passageiros) não podemos fazer“, concluiu Fernandez.
O AEROIN viajou a Madri a convite da Iberia





