
A Airbus recebeu um aporte financeiro significativo da União Europeia, através do programa Clean Aviation, que destinou até € 290 milhões para 19 projetos inovadores focados na redução das emissões da aviação.
Entre esses está o projeto ZEROe, que avança para a fase de demonstração tecnológica com foco em aviões de baixa e zero emissão, com destaque para o desenvolvimento de propulsão por células de combustível de hidrogênio.
O projeto EHPIC, liderado pela Airbus, busca aperfeiçoar componentes avançados para um sistema de propulsão totalmente elétrico alimentado por hidrogênio líquido e células de combustível.
Este sistema converte a energia química do hidrogênio em eletricidade para motores elétricos, oferecendo alternativa promissora para aeronaves comerciais com emissão zero. Segundo projeções iniciais, este conceito poderia suportar aviões de cerca de 100 passageiros para trajetos em torno de 1.000 milhas náuticas (aproximadamente 1.852 km), posicionando-se no segmento regional e de curta distância.
A Airbus atualmente foca numa arquitetura elétrica, com quatro motores de 2 MW alimentados por células de combustível e hidrogênio armazenado em tanques criogênicos na fuselagem.
Já foram realizados testes importantes, incluindo demonstração de propulsão de 1,2 MW em 2023 e testes integrados de sistemas em 2024. Em parceria com a Air Liquide, a fabricante desenvolveu instalações para teste de armazenamento e distribuição do hidrogênio líquido, com previsão de realizar testes integrados em 2027 na Alemanha.
Além do projeto da Airbus, o programa Clean Aviation apoia iniciativas variadas, incluindo o projeto ELEVATED da Rolls-Royce, que investiga sistemas híbridos-elétricos de propulsão a turbinas a gás para voos de curto e médio alcance.
Dos € 290 milhões, € 101 milhões são voltados a tecnologias para aviões movidos a hidrogênio, € 106 milhões para aeronaves de curto e médio alcance mais eficientes, e € 40 milhões para soluções regionais.
O financiamento marca uma transição do estágio experimental para testes em escala real, refletindo a crescente maturidade das tecnologias.
Essa abordagem diversa reconhece que o desafio de sustentabilidade na aviação terá soluções múltiplas, pois diferentes tipos de aeronaves demandam tecnologias específicas, especialmente diante dos desafios de armazenamento e integração do hidrogênio, cuja baixa densidade volumétrica exige tanques especiais.
Apesar do otimismo, a Airbus destaca que o ZEROe ainda está em fase de desenvolvimento dos sistemas básicos, e não se trata de uma aeronave comercial pronta, com prazos como 2035 reconsiderados para refletir a complexidade técnica. O objetivo atual é reduzir riscos tecnológicos e consolidar as bases para futuras certificações.





