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Boeing desiste de isenção que permitiria não corrigir problema no 737 MAX 7

O menor dos mais modernos jatos da família Boeing 737 deverá ter um atraso significativo na certificação, já que a Boeing decidiu não avançar com um pedido de uma isenção.

Foto – Anna Zvereva

O menor dos jatos da nova geração, o 737 MAX 7, que levará em média 140 passageiros, já estava previsto para ser o último a ser certificado, mas, agora, isso deverá demorar ainda mais tempo.

O motivo é que a Boeing desistiu de pedir uma isenção que, se aprovada, garantia certificar o MAX 7 sem resolver um problema que surgiu na família MAX: o superaquecimento de um sistema anti-gelo dos motores.

Este superaquecimento, segundo a Boeing, é um evento raro, mas que pode acontecer com qualquer modelo dos MAX, inclusive o MAX 8 e o MAX 9 que já estão em operação. Estes dois modelos tiveram uma isenção garantida em agosto do ano passado. O bocal da carenagem do motor (aro prateado na entrada do motor) pode sofrer com calor excessivo do sistema anti-gelo e quebrar, levando detritos para dentro do motor.

Os motores LEAP que equipam a série MAX e também o A320neo da Airbus são fabricados pela CFM, mas a carenagem e toda a estrutura de suporte sempre é de responsabilidade da fabricante do avião.

A isenção solicitada seria para certificar e entregar os MAX 7 até 31 de março de 2026, como mostrado previamente pelo AEROIN. Após esta data, a Boeing havia garantido que teria o problema resolvido e que já estaria emitindo uma diretriz para correção não apenas do modelo 7, mas também do 8, 9 e 10.

Agora, a Reuters reporta que a Boeing desistiu de pedir a isenção do 737 MAX 7, sem dar muitos detalhes do motivo. Porém, nos bastidores existem sinais claros de que a empresa iria enfrentar ainda mais críticas, assim como a própria FAA, que é responsável pelo processo de certificação.

Senadores americanos de ambos os partidos demonstraram publicamente a insatisfação caso a isenção fosse aprovada. O público também tem demonstrado, nas redes sociais, aversão a qualquer “colher de chá” dada para a Boeing, mesmo que não seja algo diretamente relacionado aos problemas com o MAX.

Sem esta isenção, a certificação do MAX 7 – que a própria cliente lançadora do modelo, a Southwest Airlines, não considera mais que ocorra neste ano – pode não ficar apenas para 2025, mas até para 2026, a depender do desenvolvimento da solução a ser feita pela Boeing.

A principal afetada por esta medida será a maior cliente da Boeing hoje, a própria Southwest, que tem mais de 500 jatos MAX encomendados, sendo que a maioria, 300 unidades, são exatamente da variante MAX 7.

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